Uma pesquisa feita na Universidade de Campinas (Unicamp), que ainda será publicada, mostra que a radiação emitida pelos aparelhos de telefone celular comercializados hoje, não traz danos às células.
O estudo experimental, segundo a bióloga e professora Juliana Heinrich, supervisora dos laboratórios clínicos especializados da Unicamp, irradiou células humanas com níveis iguais aos que somos submetidos diariamente. A conclusão foi que, obedecido o limite máximo preconizado pelas agências internacionais, não há danos aos cromossomos.
''Realizamos irradiações de células humanas provenientes de doadores voluntários, em vários níveis de radiação. Após isso, os cromossomos dessas células foram avaliados por técnicas de ponta em citogenética molecular'', explica. A tecnologia a que se refere é a nova técnica de SKY (cariótipo espectral) que permite enxergar cada cromossomo ''pintado'' com uma cor diferente, para que seja possível identificar pequenas trocas de material genético.
Juliana explica que ainda não é possível responder se o efeito da radiação é cumulativo. ''Os celulares passaram a estar disponíveis ao público a partir de 1994. Com isso, temos aproximadamente 12 anos de estudo, quando os grandes estudos populacionais falam em períodos de tempo de 20 a 30 anos'', explica.
A pesquisa, segundo ela, não pode servir de parâmetro para outros aparelhos que também emitem radiações não-ionizantes. ''A nossa pesquisa concentrou-se basicamente em entender o efeito da radiação na frequência e modulação utilizada em aparelhos celulares. Por isso seria complicado extrapolarmos os resultados para outras áreas'', explica.
Como ainda restam dúvidas quando ao efeito cumulativo, o recomendável é seguir o ''princípio da precaução''. ''Ele preconiza que, enquanto não conhecemos os efeitos de um determinado fator, devemos tomar medidas para que exista um risco mínimo para a população.''(C.P.)

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