Brasília, 25 (AE) - A ocupação média no mercado de trabalho brasileiro no segundo quadrimestre do ano (maio-agosto) cresceu cerca de 1,45% em relação à média apurada nos primeiros quatro meses do ano. Essa é uma das conclusões do estudo "Mercado de Trabalho - conjuntura e análise", organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado hoje pelo Ministério do Trabalho. De acordo com Luiz Eduardo Parreiras, um dos responsáveis pelo estudo, os números apurados indicam uma tendência de crescimento sustentável no nível de ocupação no mercado de trabalho brasileiro. "Nós podemos alimentar, com algum grau de cuidado, a expectativa de que estamos entrando numa fase de crescimento sustentável do emprego", disse.
Para o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, os resultados apurados pelo Ipea permitem uma expectativa positiva com relação à geração de empregos no País para o último trimestre do ano. "Com a manutenção da redução das taxas de juros e o ingresso de mais recursos para as pequenas e microempresas, estou muito otimista quanto ao aumento do nível de emprego até o final do ano", afirmou.
De acordo com o estudo, o segundo quadrimestre do ano abriu com uma geração líquida de empregos de 170.000 postos de trabalho em maio, nas seis maiores Regiões Metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Em junho
a geração líquida foi de 164.000 novos empregos. Em julho, no entanto, grande parte desses novos postos de trabalho foi fechada, com um decréscimo de 140.000 empregos. Em agosto, houve uma pequena recuperação, com a geração de 8.000 novos postos.
Luiz Eduardo Parreiras lembrou que os números divulgados na última sexta-feira pelo IBGE, que apontaram um crescimento de 172.000 novos empregos em setembro, "alimentam" a expectativa de que o País caminha para uma situação de crescimento sustentável da geração de empregos.
"Embora a nova conjuntura não tenha trazido a perda de postos esperada, ela não trouxe, também, uma melhora significativa do quadro do emprego", analisou. Na comparação entre agosto de 1999 e agosto de 1998, o nível de ocupação caiu, segundo o estudo, 0,7%. "É preciso ponderar, no entanto, que o dinamismo da demanda foi, desde maio, superior ao ocorrido em 1998", avaliou Parreiras. Enquanto houve um crescimento médio da ocupação de 1,45% entre o primeiro e o segundo quadrimestres deste ano, no mesmo período de 1998 este crescimento foi de 1 05%.
"Ocorrendo uma evolução favorável do nível de atividades até o final do ano, a ocupação pode apresentar uma trajetória mais firme, capaz de recuperar, pelo menos em parte, as perdas acumuladas pelos últimos anos de falta de dinamismo da economia", avaliam os técnicos do Ipea no estudo.
FAT - O ministro Dornelles anunciou que na próxima quinta-feira será lançado um edital para selecionar uma empresa privada que realizará uma auditoria nas operações do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo o ministro, o FAT tem hoje um patrimônio de R$ 43 bilhões, mas, orçamentariamente, é deficitário. Mesmo assim, Dornelles evitou associar a auditoria aos déficits orçamentários do fundo. "Vamos fazer uma auditoria
como todo fundo necessita; o que nós queremos é ter o retrato verdadeiro do que é o FAT", explicou o ministro.

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