Estudo do Ipea aponta falta de mulher no campo
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Um estudo que está sendo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra um aspecto até agora inédito do processo de migração da população rural em direção às cidades brasileiras: a masculinização do campo. Ao contrário do que ocorria nas décadas anteriores, nos anos 90 a maioria dos migrantes, segundo o estudo, é jovem, na faixa dos 15 aos 19 anos, e constituída de mulheres. Em consequência disso, entre os 32 milhões de habitantes atuais da zona rural, há cerca de 3,5 milhões de homens a mais do que mulheres.
Parece estar surgindo no campo, além dos sem-terra, o grupo dos sem-mulheres, brinca o presidente do Ipea, Fernando Rezende. Nas cidades, a situação é oposta. Segundo o Ipea, numa população urbana estimada em 120 milhões de pessoas, existem aproximadamente 12 milhões de mulheres a mais do que homens. O estudo Êxodo Rural, Envelhecimento e Masculinização no Brasil: Tendências Recentes foi preparado com base nos dados do censo populacional de 1996 pelas pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Marly Santos, do Ipea, e pelo professor Ricardo Abramovay, da Universidade de São Paulo.
O fenômeno da masculinização do meio rural não é exclusivamente brasileiro. Na França, a situação é conhecida como celibato rural, por causa da falta de pares femininos para a população camponesa masculina. Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), em 1955 havia na região 5,2 milhões de homens a mais do que mulheres vivendo no campo. Naquele ano, de acordo com a Cepal, faltavam parceiras para 1,6 milhão de homens latino-americanos na faixa dos 15 aos 29 anos.


