Washington, 06 (AE) - O Brasil é hoje um País mais transparente para o investidor estrangeiro, porque divulga dados sobre seu desempenho econômico com menor atraso e para um público maior, através da imprensa e da Internet. Mas na opinião do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), o lobby de 315 bancos e empresas financeiras do mundo inteiro, as autoridades brasileiras precisam fazer um esforço maior, se quiserem atrair mais capitais. "O Brasil precisa, por exemplo, atualizar o cronograma de amortização de sua dívida externa", explicou Kevin Barnes, diretor de pesquisa do IIF. "O último cronograma data do final de 97", disse.
Essa avaliação faz parte de um estudo sobre 27 países, realizado pelo IIF e publicado hoje. Surpreendidos pela crise financeira que sacudiu a ásia em 1997, atingiu a Rússia em 1998, e levou o Brasil a desvalorizar o real em janeiro passado, os bancos privados e as instituições financeiras internacionais chegaram a uma mesma conclusão: uma economia mundial mais estável depende hoje da divulgação rápida, de um número maior de informações, cada vez mais precisas.
Como exemplo de falha que precisa ser corrigida, o diretor-geral do IIF, Charles Dallara, citou o item reservas internacionais. A Tailândia e a Coréia, como o Brasil, publicavam quanto tinham nos cofres. Mas quando os dois países foram atingidos pela crise de 1997, descobriu-se que não podiam usar mão de todo o dinheiro para lidar com situações de emergência, porque os recursos estavam aplicados e portanto indisponíveis.
Hoje, Tailândia e Coréia não só revelam o total de suas reservas, como também identificam que parcela está disponível. México e Venezuela também fazem o mesmo, mas Brasil, Chile e Equador não entram em detalhes. O IIF e também o Fundo Monetário Internacional (FMI) querem que todos os países passem a discriminar suas reservas, separando depósitos em bancos domésticos e estrangeiros e derivativos de outros tipos de recursos.
No estudo, o IIF estabelece padrões para a divulgação de 25 dados econômicos, entre eles o cronograma de amortização da dívida e as reservas totais e disponíveis. O Brasil só cumpre com os padrões estabelecidos em 18 dos 25 casos. Argentina, Israel, Peru, Tailândia e México estão na frente: fornecem de forma satisfatória 23 tipos de informação.
Mesmo assim, Brasil e China (que cumpre com padrões de divulgação de apenas 6 dados econômicos) são os dois países emergentes que mais atraíram investimentos estrangeiros diretos nos últimos dois anos. "Esse tipo de investidor é diferente, porque está pensando a longo prazo e sobre as perspectivas de crescimento de mercados", explicou Dallara. Segundo ele, uma maior eficiência na divulgação rápida de dados econômicos terá um efeito sobre os compradores de ações e bônus ou a concessão de empréstimos.
"Maior transparência minimiza as surpresas, maximiza a estabilidade e e aumenta os fluxos de capitais", disse Dallara. Mas o impacto positivo sobre países que forem mais transparentes
segundo ele, só será sentido no futuro.