Estudo do governo conclui que efeitos da desvalorização estão aparecendo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Leandra Peres 
Brasília, 13 (AE) - A equipe econômica avalia que apenas agora, pouco mais de um ano desde a desvalorização cambial, os efeitos da mudança no câmbio estão aparecendo nas contas externas. Um estudo divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda aposta na continuidade do movimento de substituição de importações, o que deve retirar pressões adicionais de déficit na balança comercial, contribuindo para se chegar ao superávit de US$ 4 bilhões este ano.
No cenário desenhado pelo governo, as exportações já estão reagindo, aumentando as quantidades vendidas e também o preço de algumas commodities. " Agora é que o resultado da desvalorização está sendo visto com clareza", explicou o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero.
Para o governo, a economia está apenas no começo do processo de substituição de importações. Com a desvalorização, comprar produtos importados ficou mais caro, o que abriu espaço para as indústrias nacionais ocuparem mercado. Segundo a análise da secretaria, há capacidade ociosa em setores importantes da economia que permitem manter esse processo. Um dos exemplos citados é o de bens intermediários, como têxteis, que já deu sinais de aumento do uso da capacidade de produção ociosa. Por outro lado, a desvalorização mantida no longo prazo servirá como estímulo para que as indústrias façam novos investimentos, pois terão o consumo no mercado internacional.
"É muito provável que estejamos assistindo apenas à primeira fase desse movimento de substituição de importações, de forma que neste ano as compras externas devem mostrar um comportamento moderado diante da recuperação da produção", diz o estudo.
O governo vê possibilidade de pressão para aumento de importações em alguns setores de produtos intermediários e na demanda de matérias-primas e insumos para uso na exportação de manufaturados. Neste caso, o impacto nas importações seria absorvido pela venda ao exterior de um produto de maior valor agregado.
Pelo lado das exportações, a expectativa é que se confirme o crescimento nos manufaturados, que aumentaram 35% em volume no primeiro trimestre deste ano. O preço das commodities também deve subir em relação a 1999, fazendo com que o país recupere parte dos 13% de perda na receita de exportações no ano passado.


