São Paulo, 30 (AE) - O consumidor que compra um carro zero quilômetro popular paga em impostos, após um período de cinco anos, um novo modelo para o governo em forma de impostos federais, estaduais e municipais. O total recolhido em tributos será equivalente a 102% do valor destinado à cadeia produtiva - R$ 9.780,30, no caso de um modelo com motor 1.0.
O cálculo faz parte de estudo feito pela subseção do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, divulgado hoje. O trabalho, inédito no País por envolver toda a cadeia tributária, será entregue ao ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, no dia 6 e depois ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os cálculos do carro popular, modelo que responde por 60% das vendas no País, foram feitos com base no preço público de R$ 12.600,00. Além dos impostos pagos na hora da compra, como IPI, ICMS, Pis e Cofins, foram incluídos gastos com IPVA, licenciamento, tributos incidentes sobre gasolina e pedágios e IOF para compra financiada.
Ao final de cinco anos, o proprietário terá pago ao governo R$ 9.981,00, ou 102% do valor destinado à cadeia produtiva (sem IPI, ICMS, Pis e Cofins), que é de R$ 9.780.30. No primeiro ano, os tributos ficam com 45% do valor do carro.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, disse que a intenção da entidade não é reivindicar a redução da carga tributária, mas convencer Fernando Henrique da necessidade de se aprovar o projeto de renovação da frota de veículos velhos.
Com o fim do acordo de emergência hoje e o aumento médio de 12% nos preços previsto para hoje, e sem qualquer programa que incentive o mercado, o sindicalista teme que a produção despenque ainda mais. "Sabemos que há excesso de mão-de-obra nas montadoras há dois anos, mas não aceitamos a hipótese de demissões por conta da queda de vendas, por isso estamos propondo um projeto que possibilite a reativação do mercado", disse Marinho.
O projeto de reciclagem de carros velhos começou a ser discutido há quase um ano e agora está parado no governo, que teme perder arrecadação se baixar novamente o IPI. "O estudo prova que o governo não vai perder", disse Marinho. Segundo ele
quando o governo faz seus cálculos, leva em conta apenas o IPI e não inclui os demais tributos da cadeia tributária.
Projeção feita pelo Dieese mostra que, sem o projeto de renovação, que prevê incentivos fiscais e bônus para quem trocar um carro com mais de 15 anos por um mais novo, a produção nos próximos 12 meses deverá ficar em 1,35 milhão de veículos. Com esse volume, a arrecadação tributária somaria R$ 9,6 bilhões no período e R$ 18,3 bilhões em cinco anos.
Com o projeto, a produção chegaria a 1,75 milhão de unidades e resultaria em arrecadação de R$ 10,7 bilhões no primeiro ano e de R$ 21,5 bilhões após cinco anos. Mesmo que a produção fosse menor, alcançando 1,55 milhão de unidades, a arrecadação ficaria em R$ 9,6 bilhões e R$ 19,3 bilhões, respectivamente.

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