Estudo do Bozano,Simonsen constata que ações da Petrobras estão subavaliadas
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 30 (AE) - As ações da Petrobras estão subavaliadas. As preferenciais são vendidas atualmente por cerca de R$ 300 o lote de mil ações, algo entre US$ 150 e US$ 160, mas o preço justo seria de US$ 224 - com previsões conservadoras. Essa é uma das principais conclusões do relatório que o Banco Bozano Simonsen elaborou em agosto sobre a Petrobras, e apresentou a investidores europeus e norte-americanos durante três semanas.
A explicação para tal disparidade é que os investidores sempre tiveram medo da interferência do governo, do uso político da empresa e das políticas de subsídios. "Só que eles começam a ter a sensibilidade de que a administração é mais profissional, de que o governo está promovendo mudanças na Petrobras", afirmou o autor do relatório, o analista Rodrigo Marques. Com a previsão conservadora de que o preço do barril de petróleo ficará estável em US$ 16, o preço justo das ações seria de US$ 224 por mil. Se o valor do barril ficar em US$ 22, a projeção para as ações passa para US$ 370. "A Petrobras é a grande opção da bolsa", conclui.
A estatal tem, por exemplo, margens operacionais compatíveis à média internacional e ótimos níveis de reservas, e mudou desde que começou a desregulamentação do setor de petróleo e gás, em 1995, diz o relatório. "As reservas da Petrobras são colossais", explicou o gerente comercial do Bozano,Simonsen, Rodrigo Bacellar Wuerkert. Para cada 100 barris de petróleo que produziu, a empresa descobriu mais 167. "E isso antes da nova descoberta", afirmou o executivo. A média global é de 132.
Projeções - O Bozano,Simonsen estima que a geração de caixa da Petrobras, de R$ 2,5 bilhões em 1998, deve saltar para R$ 10 bilhões até 2002. Por três fatores: aumento de preços e da produção e redução das importações. Segundo as projeções do banco, o lucro em dólares deve crescer, em média, 44% por ano nos próximos 3 anos. A Petrobras deve produzir 50% a mais até 2001, e 70% a mais nos próximos cinco anos, atingindo 1,7 milhão de barris por dia em 2004 - apenas com investimentos da empresa, sem considerar as parcerias.
"Em 2005 a empresa pode chegar à auto-suficiência", acredita o analista. As importações, portanto, devem ter uma redução, da ordem de 74% até 2001. "A Petrobras ganha mais dinheiro se produzir no Brasil", afirma. A companhia tem um custo de cerca de US$ 6 por barril produzido no País, incluindo os royalties pagos, enquanto os preços internacionais já chegaram a US$ 25.
Essa alta, no entanto, não foi ruim para a Petrobras, segundo Marques, pois foi absorvida pelo governo. Existe um preço de faturamento - o valor total que as distribuidoras pagam pelo combustível comprado da Petrobras, tabelado - e o preço de realização - o líquido efetivamente recebido pela estatal. A diferença é formada pela parcela que o governo toma: os impostos como o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além do sobrepreço chamado de Parcela de Preço Específica (PPE).
O preço de realização é, desde julho de 1998, atrelado à variação dos preços de derivados no mercado internacional e subiu 190% entre janeiro e agosto deste ano. Mas o preço de faturamento foi aumentado pelo governo em 62%, no mesmo período. Portanto, o governo abriu mão de parte dos impostos para, em um mau momento político, não reajustar tanto os combustíveis no mercado interno. Em agosto de 2000 o preço de realização deixará de ser alinhado ao do mercado internacional.
Investimentos - Segundo o relatório, a Petrobras investe o equivalente a 11% de suas vendas, percentual semelhante à média internacional. Esse investimento é importante para garantir o ativo mais valioso, as reservas. Mas, alerta o Bozano Simonsen, tendo em vista o esforço do governo para promover o ajuste fiscal, a empresa sofreu uma "severa restrição orçamentária". A expectativa é que o orçamento de 1999, ainda a ser aprovado, seja de R$ 2,6 bilhões, 40% a menos do que em 98. A alternativa foi formação de parcerias tanto operacionais quanto financeiras.


