Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Com o objetivo de determinar o local exato por onde passa o Trópico de Capricórnio em Maringá, professores de geografia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com técnicos da secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, fizeram a medição geo-astronômica de várias áreas da cidade. Até então, as poucas informações a respeito estavam incorretas ou imprecisas. O trópico é uma linha imaginária que determina a área de transição entre os climas temperado e tropical.
De acordo com o trabalho, a linha cortaria o lado sul da igreja católica do Conjunto Borba Gato, no bairro do mesmo nome, passando também pelo terreno das antigas lagoas de esgoto da prefeitura, no final da Avenida Cerro Azul. O local deveria ser transformado em um parque de lazer para os moradores da região, mas está abandonado.
A intenção da prefeitura, segundo a coordenadora de turismo Tiana Lorencete, é de analisar os locais onde a linha do trópico passa, para depois viabilizar a construção de um marco ou um monumento. Ela conta que sempre existiu muita especulação no local onde o trópico realmente passa, por isso foi necessário o trabalho dos geógrafos da UEM.
‘‘A medição foi necessária porque cada um colocava o trópico onde achasse melhor. Existe até uma lei que diz que ele corta o centro da cidade, sem especificar onde. Agora, sabendo que está errado, isto terá que ser mudado’’, afirma o professor de geografia e coordenador do projeto, Dalton Áureo Moro.
A lei de 1987 do vereador João Batista Sanches, já falecido, propunha a construção de um marco indicativo da passagem da linha pela cidade. O marco não foi feito até por causa da dúvida da localização exata do trópico. Mas agora a idéia será retomada. ‘‘Há o projeto de se erguer um ‘‘santuário’’ em homenagem ao trópico que, provavelmente, deve ser construído no terreno das antigas lagoas de esgoto, agora reconhecido como local exato’’, informa Moro.
Todos os detalhes em torno da linha exata por onde passa o trópico e a construção de algum monumento, segundo Tiana, estão em discussão. Ela diz que a idéia é explorar o fato do trópico cortar a área urbana de Maringá. ‘‘Não existe nenhum atrativo a não ser que se construa algo que sirva para trazer visitantes’’, lembra ela. A intenção, no entanto, é justamente essa, usar a linha do Trópico de Capricórnio como marketing para promover o turismo da cidade. ‘‘Que já tem muitos atrativos para os visitantes’’, ressalta Tiana.
A iniciativa de explorar a linha do trópico não é novidade. Há cerca de 10 anos, uma indústria de vinhos finos de Maringá lançou uma campanha mostrando que a bebida era produzida na cidade cortada pelo trópico. Mas, segundo o assessor Rogério Recco, a exploração do trópico como referência não deu resultados e a indústria deixou de divulgar.
Outros países cortados pela linha do trópico fazem este tipo de marketing, como o Chile e a Austrália.Trabalho de geógrafos da UEM pode levar prefeitura a construir marco ou monumento para exploração do turismo
Henri JúniorHenri JúniorA linha imaginária do Trópico de Capricórnio passa onde está a igreja do Conjunto Borba Gato (acima); marco indicativo ou monumento poderá ser instalado nas antigas lagoas de esgoto da prefeitura (ao lado)

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