O Rio Barra Grande, um dos afluentes do Rio Tibagi que serão alagados se a Usina Mauá sair do papel, foi escolhido pela também formanda de Ciências Biológicas da UEL, Cibele Raio, 21 anos, para fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Segundo ela, o rio não foi contemplado no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da hidrelétrica.
''Em apenas dois dias de coleta com peneira, encontrei três espécies nunca descritas para a Bacia do Tibagi'', disse, referindo-se a exemplares de trairão, cascudo e lambari.
Complementando o estudo com pesquisas feitas na literatura da área, Cibele diz ter descoberto 25 espécies existentes no Barra Grande que não foram mencionadas pelo EIA.
Para a estudante, isso confirma as lacunas e falhas do estudo, que têm sido exaustivamente denunciadas por acadêmicos, ambientalistas e Ministério Público. Mesmo assim, a UHE obteve Licença Prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e caminha para obtenção da Licença de Instalação.
''O EIA despreza espécies endêmicas (existentes apenas em determinado local) da Bacia alegando que são poucas e de pequeno porte. Mas nem por isso elas deixam de ter valor biológico'', destaca.
Segundo a bacharelanda, a característica peculiar do Barra Grande é a presença de rochas no fundo do rio, em cujos buracos vivem várias espécies de peixes. ''Elas são sensíveis a alterações e portanto estão ameaçadas pela usina. O curioso é que o próprio Ministério do Meio Ambiente classificou a região do Médio Tibagi como área de conservação prioritária.''(V.N.)

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