Estudo da ONU - Desigualdade virou epidemia global
A globalização, as reformas pró-mercado dos anos 80 e 90, a redução do Estado e a abertura financeira e comercial dos países emergentes aumentaram a desigualdade no mundo. Este veredito é o fio condutor de um relatório de 158 páginas divulgado semana passada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A Cilada da Desigualdade traz dados alarmantes sobre a situação da distribuição de renda no mundo, e também sobre as desigualdades em educação, saúde e representação política, acesso à terra, além da exposição à violência, ao preconceito e à degradação do meio ambiente.
O documento mostra que os 20% mais ricos do mundo são responsáveis por 86% do consumo global, e os 20% mais pobres por apenas 1%. Uma parcela de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial pertence a um bilhão de pessoas vivendo no mundo desenvolvido. Os restantes 20% são repartidos por 5 bilhões no mundo emergente.
Roberto Guimarães, chefe de Análise Social e Política do Departamento de Assuntos Econômicos e Socias da ONU (responsável pelo relatório) diz que um dos objetivos básicos do trabalho é colocar a desigualdade no centro do debate mundial. Ele observa que há muita ênfase na redução da pobreza, mas pouco se fala na questão da distribuição, que tem piorado dentro dos países e entre eles. A desigualdade se transformou numa epidemia global, diz Guimarães.
O trabalho defende medidas já propostas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros líderes mundiais, como impostos sobre movimento de capitais, vendas de armas e uma loteria mundial. Toda a receita destes instrumentos seria usada no combate à pobreza e à fome em escala mundial.





