Estudo da Fiesp condiciona crescimento à democracia
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sábado, 17 de abril de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 18 (AE) - O Brasil teve crescimento modesto nos últimos 40 anos. Em média, 2,4% ao ano. O desenvolvimento econômico em velocidade incompatível com as necessidades da população é fruto de instituições democráticas frágeis. Essa foi uma das conclusões de um grupo de trabalho constituído pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para estudar a competitividade do produto brasileiro.
As sucessivas quebras de contratos, a insegurança e o medo de um novo confisco da poupança inibem os investimentos. "O desenvolvimento democrático de um país está associado ao crescimento econômico", conclui o trabalho, que será debatido na terça-feira (20) por diretores da entidade.
O estudo, feito em conjunto com técnicos do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon)
tem por objetivo fornecer subsídios para os debates dos empresários nas reuniões da Fiesp e, a partir das conclusões, oferecer alternativas à política econômica do governo.
O trabalho já está no segundo capítulo. Os textos são distribuídos quinzenalmente aos empresários. Há 15 dias, os técnicos avaliaram os efeitos dos investimentos oficiais em educação. Enquanto o trabalhador brasileiro frequentou escolas por período médio de quatro anos, em Taiwan ou na Coréia a escolaridade ultrapassa nove anos.
Recuperação - O desempenho insatisfatório da economia é atribuído pelos técnicos das entidade, em parte, aos baixos investimentos em educação e, principalmente, à falta de poupança.
Para voltar a crescer a uma velocidade de 4% ao ano, o Brasil teria de elevar o nível de investimento de 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB), que foi a média de 1981 a 1995, para 17,5% do PIB e aumentar o índice médio de crescimento da escolaridade da população de 1,8% ao ano para, pelo menos, 2,2% ao ano.
Embora no Brasil o crescimento econômico se tenha acelerado durante o período em que vigorou o regime militar, o diretor do Departamento de Competitividade Industrial (Decompi) da Fiesp, Eduardo Capobianco, afirma que a comparação com o desempenho econômico de outros países comprova a importância das instituições democráticas sólidas no crescimento da renda per capita.
A satisfação do direito de propriedade representa importante fator de decisão de poupança e investimento. A falta de garantias sobre os recursos poupados ou a possibilidade de desapropriação de capitais desestimulam o esforço de acumulação de riqueza.
Os empresários mostram, com esse estudo, a preocupação com o custo da produção e a capacidade de competição da empresa brasileira. Sem garantias mínimas, a população acaba sendo privada dos serviços públicos, afirma Capobianco.
O empresário, que é diretor do Sinduscon, cita o exemplo recente da quebra dos contratos firmados entre o governo do Paraná e empreiteiras. Os investimentos das estradas estaduais seriam remunerados com a cobrança de pedágios.
Às vésperas das eleições, o governador Jaime Lerner, então candidato à reeleição, recuou e reduziu os preços dos pedágios, temendo perder as eleições. Resultado: as empreiteiras paralisaram as obras e a questão passou a ser discutida na Justiça.
Para Capobianco, a democracia brasileira é recente e está em processo de consolidação. As quebras de contratos e os calotes do governo ocorrem, mas, na sua opinião, tendem a tornar-se cada vez mais raros. "É possível notar um avanço nas conquistas, mas há ainda incertezas e isso perturba o desenvolvimento econômico."
Sobressaltos - Segundo ele, "as atividades empresariais continuam extremamente emocionantes, por causa dos sobressaltos." Os empresários, declara, não podem queixar-se de monotonia.
Outro reflexo dessa situação de instabilidade é a tentativa das empresas de elevar os lucros para compensar o risco dos negócios. Com isso, os investimentos são seletivos e nem sempre atendem às necessidades da população.
Os empresários da Fiesp estão dispostos a acompanhar as decisões do governo e avaliar com maior precisão seus efeitos. Eles têm a esperança de interferir nas decisões e evitar que os investimentos sejam dispersados.


