São Paulo, 07 (AE) - Ainda que de maneira tímida, aumentou a confiança dos empresários da indústria paulista no Brasil em setembro. Segundo o estudo mensal da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em conjunto com o Vox Populi, o índice de confiança dos 373 entrevistados ficou em 3,9
numa escala de zero a 10, contra 3,8 em agosto e julho. Dentro da amostra desse estudo, 56% eram de pequenas empresas, 20% de médias, 18% de microempresas e 6% de grandes empresas. Os dados foram apresentados pela diretora do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Clarice Seibel.
Também melhorou a avaliação desses empresários em relação às condições da conjuntura internacional para o Brasil. Neste caso, a nota passou de 4,8 para 5 no mesmo período. Um reflexo dessa melhora na confiança dos empresários está no crescimento da nota dada à gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, de 3,8 em agosto para 3,9 em setembro. Quase todos os ítens avaliados da atuação de FHC tiveram melhora nesse período, com exceção da capacidade de liderança do processo político, cujo índice recuou de 3,8 para 3,7. No caso da solução das questões sociais, a nota ficou estável em 2,8.
A situação econômica do Brasil hoje recebeu nota 4,3, contra 4 em agosto. A situação política do País também foi melhor avaliada pelos industriais: a nota passou de 3 para 3,4, como consequência do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), do Orçamento para 2000 e da fase inicial da gestão do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias. No que se refere às perspectivas para o Brasil para daqui a um ano, a nota dos empresários da indústria paulista subiu de 4,9 para 5,2.
Segundo Clarice, as questões sociais foram apontadas pelos empresários entre as principais causas da queda de popularidade de Fernando Henrique. O estudo diz que, em setembro
as questões sociais foram citadas por 66% dos entrevistados. As causas econômicas aparecem na segunda colocação, com 55%. O item credibilidade/autoridade/competência/honestidade vem em seguida, com 27%. As causas políticas foram citadas por 18% dos entrevistados.
Clarice ressaltou também que, no campo social, o desemprego foi apontado como a principal causa da queda de popularidade do presidente pela grande maioria dos empresários consultados. No campo econômico, o principal item foi a taxa de juros. A pesquisa diz também que os empresários têm uma expectativa de estabilidade para os próximos 90 dias, principalmente no que se refere a estoque de matérias primas, existência de linhas de crédito, grau de endividamento da empresa e inadimplência dos clientes, assim como número de empregados. As exceções foram os custos de produção, necessidade de capital de giro e competitividade em relação a outras empresas nacionais.
Por último, 87% dos empresários entrevistados acham que o progresso das reformas está lento, e 83% acreditam que Legislativo é o principal responsável por esse atraso. Clarice ressaltou que a pesquisa foi concluída antes da decisão do Superior Tribunal Federal (STF) em relação à contribuição dos inativos. "Houve uma ligeira melhora; é um sinal consistente, mas não determina tendências ainda; o ritmo de andamento das reformas e da queda da taxa de juros nos próximos períodos permitirá desenhar um cenário futuro", afirmou Clarice.

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