Estudo da CNI mostra que migração industrial não alterou mapa econômico
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 30 (AE) - A migração industrial nos primeiros sete anos da década foi mais forte no setor de agribusiness, que trocou São Paulo por Goiás, e nos de vestuário e calçados, que deixaram a Região Sul rumo ao Nordeste, basicamente para o Ceará e o Rio Grande do Norte. Mas levantamento da Confederação Nacional da Indústria, que apurou esta movimentação entre 1990 a 96, demonstra que as mudanças foram muito localizadas e insuficientes para alterar o mapa econômico do País encabeçado, com larga margem, por São Paulo. "O que causou mais surpresa foi a pouca mudança em todo o quadro", afirmou Flávio Castelo Branco, coordenador adjunto da Unidade de Política Econômica e chefe da equipe técnica que compilou os dados. "Falou-se tanto em migração de investimentos, mas a economia de São Paulo não esvaziou-se praticamente nada", comentou o economista. A participação de São Paulo no PIB manteve-se estável, com variações que não passaram de um ponto percentual no período.
Em 1996, com uma parcela de 35,58% do PIB, São Paulo ocupava o primeiro lugar no ranking, com larga diferença em relação ao segundo colocado, o Rio de Janeiro, com apenas 11 37%. O levantamento não registra a movimentação da indústria automobilística, que ocorreu com mais agressividade nos últimos dois anos. Em contrapartida, também não reflete os efeitos das crises de 1997 e 98.
A questão agora, segundo Castelo Branco, é saber se a movimentação econômica, que começou a ganhar força nos últimos cinco anos, acelerada pelo Plano Real e, mais ainda, pela guerra fiscal entre os Estados, foi interrompida pela crise mundial. Mas, mais do que a indústria, é o setor de serviços que continua puxando a formação do PIB nacional, com 59,4%.
Por causa do incremento do agribusiness, a Região Centro-Oeste elevou em 217,2% suas exportações de 1990 a 97. Um índice extraordinário, mas que nominalmente corresponde ao acréscimo de apenas US$ 1 bilhão (FOB) na conta total. A Região Sudeste, liderada por São Paulo, registrou aumento muito menor, comparativamente: 54,5%, que equivale, porém, a US$ 10 bilhões, passando de US$ 19 bilhões para US$ 29 bilhões. "Os índices de algumas regiões e Estados impressionam, mas o fato é que eles são referentes a bases muito pequenas, o que torna difícil a comparação", diz Castelo Branco.
Mesmo assim, ele acredita que o dado é muito significativo e mostra que a indústria está-se movimentando em busca de regiões menos congestionadas. "Esse comportamento tende a se acentuar no futuro e, a médio prazo, levará a uma desconcentração da economia", comentou. "O que ocorreu até agora é semelhante a quando se muda o detalhe de um quadro: de longe não dá para perceber, mas de perto dá para notar as nuances", explicou.
As consequências sociais das mudanças, no entanto, ainda levarão, pelo menos, uma década para serem percebidas. A queda de meio ponto percentual na participação do setor industrial na economia (passou de 33% para 32,5% entre 1990 e 96) não teve nenhum peso, ainda segundo Castelo Branco. "É uma variação tão pequena, que não significa nada", garantiu.
A compilação "Economia Brasileira - Comparações Regionais" reuniu dados coletados por órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Eletrobrás, Ministérios da Fazenda, do Trabalho e da Indústria, do Comércio e do Turismo e pesquisas da própria CNI.


