Rio, 18 (AE) - As exportações brasileiras não vão aumentar a curto prazo, com a desvalorização do real, segundo análise do boletim "Comércio Exterior em Perspectiva" de janeiro, divulgado hoje pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Os técnicos da Unidade de Integração Internacional (Inter) da entidade, responsáveis pelo documento, lembram que a melhoria depende de outras condições, como a volta de linhas de financiamento externo para os exportadores e o fim da entressafra de produtos agrícolas vendidos para outros países.
De acordo com o boletim, a recuperação das exportações vai depender do esforço de empresários em conquistar novos mercados e do governo, em retirar entraves para o comércio exterior, como o mau funcionamento dos portos e o excesso de impostos. O tempo que for preciso para a estabilização do valor do real em relação ao dólar também vai influenciar na recuperação do setor exportador.
Segundo o boletim, a redução das importações por causa da desvalorização vai ser mais rápida. Desta forma, o levantamento realizado pela CNI mostra que a queda do valor do real deve ajudar a indústria brasileira, ao dar espaço para que aumente a compra de produtos nacionais no mercado interno.
Longo prazo - No levantamento, as empresas brasileiras projetam aumentos de suas vendas para o exterior, a longo prazo, entre 10% a 15%. A expectativa da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de aumento de 10% das exportações, que ficarão em um patamar de US$ 5,5 bilhões, neste ano.
A Associação Brasileira de Indústrias Químicas (Abiquim) prevê aumento de 15% das vendas externas, além de redução de 20% das importações no setor. A desvalorização cambial deve contribuir no aumento das vendas externas da indústria de máquinas e equipamentos entre 10% e 15%, segundo a Associação Brasileira de Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que prevê exportações neste ano de US$ 4,5 bilhões e importações de US$ 4,7 bilhões.

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