Estudo critica violência contra trabalhadores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de abril de 2004
Agência Estado 
Genebra- O primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva possui as piores estatísticas de violações contra famílias de trabalhadores rurais (registradas) desde 1985. A avaliação faz parte de um relatório produzido por duas das entidades internacionais que mais apoiaram a candidatura de Lula para presidente - a Via Campesina e a FIAN (Foodfirst Information & Action Network).
O estudo foi publicado ontem em Genebra, na sede da ONU, e as duas entidades afirmam que desde o ano que marcou o final do regime militar a Comissão Pastoral da Terra jamais havia registrado tantos conflitos de terra como em 2003. Segundo os dados da Pastoral, 1,6 mil casos de conflito foram identificados, envolvendo 1,1 bilhão de pessoas. Entre janeiro e outubro, ocorreram 61 assassinatos de trabalhadores rurais e, para as entidades, nenhuma ação para reverter a impunidade teria sido tomada no primeirano do governo Lula.
As organizações ainda criticam a ''política pró-exportação'' de Lula, o que também estaria contribuindo para a falta de atenção com os direitos dos trabalhadores rurais. ''Atualmente, as oligarquias estão reconquistando influência no governo brasileiro, que depende das exportações de produtos agrários para a administração das contas externas do País'', afirma o documento.
Sobre o Programa Fome Zero, as entidades internacionais alertam que grupos de latifundiários têm se mobilizado para pressionado o governo. Para isso, vêm utilizando vários instrumentos: aumentar a influência no Poder Judiciário e criminalizar os Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e sua luta por reforma agrária. O relatório ainda traz casos de violações cometidas contra os direitos dos trabalhadores rurais durante o governo Lula.


