Mal-estar, dificuldade para dormir no horário habitual (ou horário do relógio), sonolência diurna, alterações no humor e nos hábitos alimentares. Estes são os transtornos que o horário de verão pode trazer, segundo o cronobiologista Luiz Menna-Barreto, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Menna-Barreto, um estudo feito com 77 pessoas de São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul revelou que cerca de 50% dos entrevistados queixam-se da qualidade de sono após a implantação do horário de verão.
‘‘A intensidade dos problemas não é igual para todos. Pessoas que normalmente dormem pouco (deitam tarde e acordam cedo) são mais sensíveis à mudança de horário’’, afirma Menna-Barreno.
O horário de verão pode influir também no número de acidentes de trânsito. ‘‘No Brasil, não foram feitas pesquisas para comprovar a relação. No Canadá, no entanto, um estudo mostrou que no dia seguinte à implantação do horário de verão ocorreu um aumento de 7% no número de acidentes de trânsito. A situação só volta ao normal uma semana após a implantação’’, disse.
Para minimizar os efeitos provocados pelo horário de verão, Menna-Barreto faz algumas recomendações: tentar dormir no horário de sempre (sem seguir o relógio); dormir com as janelas abertas pelo menos nos primeiros dias para acordar com claridade, o que ajuda na sincronização do relógio biológico; não dirigir por muito tempo nos dias em que a pessoa ainda se sente sonolenta e irritada.
‘‘O horário de verão pode até se justificar pela economia de energia, mas traz prejuízos para a saúde de muitas pessoas’’, comentou o pesquisador. (Agência Folha)