O estudo técnico realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) analisou indicadores que impactam a qualidade de vida da população. O IVS (Índice de Vulnerabilidade Social) leva em conta 16 itens divididos em três grupos: infraestrutura urbana, capital humano e renda e trabalho. O cálculo final do índice varia de zero a 1, sendo o número 1 atribuído aos locais que apresentam taxas de vulnerabilidade mais elevadas.

Entre 2000 e 2010, o Índice de Vulnerabilidade Social no Brasil caiu 27% e a classificação passou de alta para média vulnerabilidade. Já no período entre 2011 e 2015 houve redução de apenas 7% e, desde então, o Brasil permanece na faixa considerada de baixa vulnerabilidade social, com IVS de 0,248. O País chegou a ter uma taxa de 0,446 no ano 2000. Conforme a pesquisa, os indicadores ligados a renda e trabalho foram os que mais contribuíram para a redução da vulnerabilidade até o ano de 2010.

Para a professora do Departamento de Sociologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Maria Tarcisa Bega, ao analisar a redução no ritmo de queda dos índices de vulnerabilidade do País é preciso levar em conta a dificuldade de se aproximar do número ideal. "Quando você parte de uma alta vulnerabilidade, por exemplo, qualquer alteração que você faça na infraestrutura urbana, no capital humano e no trabalho e renda, vai dar um resultado alto. À medida que você vai caminhando para um índice bom no indicador, ele começa a ficar mais lento, isso quando as condições conjunturais e estruturais não mudam", explicou.

A pesquisa do Ipea considera dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e do Censo Demográfico. Entre os indicadores de infraestrutura urbana foram analisados números que dizem respeito ao abastecimento de água e esgoto nas residências, a coleta de lixo, a quantidade de pessoas que vivem com salário inferior a meio salário mínimo e a porcentagem da população que demora mais de uma hora para chegar até o local de trabalho.

Nos indicadores reunidos no setor de capital humano, os pesquisadores consideraram índices relacionados à mortalidade infantil, crianças e adolescentes que não frequentam a escola, adolescentes que tiveram filhos, mães chefes de família e a taxa de analfabetismo. Já na área de renda e trabalho foram analisadas a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita igual ou inferior a meio salário mínimo, a taxa de desocupação da população de 18 anos ou mais, a porcentagem de pessoas de 18 anos ou mais sem ensino fundamental completo e em ocupação informal, entre outros fatores.

"De 2000 a 2010 tivemos políticas públicas de inclusão social na área de emprego e renda. Para os pobres R$ 200 a mais para uma família que ganha R$ 1 mil representa 20% e faz a diferença. Também foram investidos recursos em infraestrutura urbana, habitação, rede de água e esgoto e energia. Ao mesmo tempo, também se investiu muito em política de educação e saúde", avaliou a socióloga.

"De 2011 para 2015 houve uma precarização das condições da população brasileira. Entre 2014 e 2015, especificamente, não houve redução, mas sim crescimento da vulnerabilidade em 2%. O que quer dizer que o que se ganhou entre 2012 e 2014, se perdeu entre 2014 e 2015. O quadro é sombrio e ainda há um longo caminho a ser percorrido", alertou. "O que aconteceu entre 2000 e 2010 levou a uma relativa diminuição das desigualdades regionais no País. O que nós vamos ter daqui para a frente? Vamos conseguir manter esses índices ou vamos abrir mais a diferença entre as regiões? Esta é a questão e o desafio daqui para a frente", ressaltou.

Os dados da pesquisa lançada nesta quarta-feira estão disponíveis no Atlas da Vulnerabilidade Social, no site do Ipea (www.ipea.gov.br). Para a professora, a publicação dos indicadores representa um avanço para a elaboração das políticas públicas em todo o País. "A despeito de todos os problemas, nós estamos refinando as informações para ter uma análise melhor. Fico feliz que, apesar de uma crise, esse material tenha sido elaborado e publicado para se pensar em um planejamento futuro", concluiu.

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