Estudo condena calçadas no PR
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terça-feira, 28 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - De cada dez calçadas das cidades paranaenses, seis estão inadequadas. Os problemas mais frequentes são a inexistência de calçadas, precariedade da pavimentação, largura inadequada, presença de obstáculos ou de degraus, falta de continuidade das calçadas e inexistência de faixa para pedestres. Como consequência dessa situação, 10% dos atendimentos feitos pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) do Corpo de Bombeiros de Curitiba são de pessoas que sofreram queda do mesmo nível.
O índice de 10% de atendimentos não se refere apenas às quedas em calçadas. Inclui também atropelamentos. Ainda assim, o número serve de alerta, de acordo com o médico Edson Teixeira, diretor do Siate. ''A má condição das calçadas é um fator de acidente. As pessoas tanto podem cair em função de buracos e desníveis, por exemplo, ou até ser atropeladas porque tiveram que andar na rua em local sem calçamento'', diz o médico.
As más condições das calçadas no Paraná foram diagnosticadas em uma pesquisa, feita entre maio e setembro deste ano, nas quatro maiores cidades do Estado Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. Estudantes de arquitetura de cinco faculdades analisaram 612 calçadas, situadas em trechos representativos da rede urbana, baseados em dez critérios, que vão do conforto à segurança do pedestre.
Com nota entre zero a dez, a média paranaense ficou em 4,46. ''Maringá foi a menos pior'', avalia o urbanista Evandro Cardoso Santos, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Maringá recebeu nota 5,35; seguida por Foz, com 4,52; Londrina, com 4,02; e por último Curitiba, com 3,58. Curitiba, segundo ele, apresenta o agravante de ter um dos mais altos índices de crescimento habitacional. Os dados dessa pesquisa foram apresentados, ontem, durante o 1º Seminário Paranaense de Calçadas, realizado em Curitiba.
Segundo o urbanista Santos, a maioria das leis municipais prevê que a responsabilidade das calçadas é do proprietário do lote. Ele alertou, no entanto, para o fato de que os maiores problemas concentram-se em áreas periféricas, ou seja, em locais onde estão as populações de menor renda e, muitas vezes, sem condições de arcar com o custo de uma calçada. Nesse sentido, ele defende que os municípios e população têm que buscar alternativas para viabilizar as soluções, de acordo com cada realidade.


