Estudo comprova relação do vírus com microcefalia
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Folhapress 
São Paulo - Para parte da comunidade científica brasileira, não resta mais dúvida: é mesmo o vírus da zika o responsável pelos casos de microcefalia.
A convicção veio após a publicação na quarta-feira à noite de um novo estudo esloveno no periódico científico "The New England Journal of Medicine", relatando o caso de uma jovem da Eslovênia, que foi infectada por zika em Natal (RN), no primeiro trimestre da gestação.
O trabalho está sendo considerado o mais completo já realizado para demonstrar essa associação. Entre outras coisas, conta com imagens do feto, análises patológicas do cérebro danificado pelo vírus e o sequenciamento completo do vírus da zika encontrado nas estruturas cerebrais do bebê.
Na autopsia feita no feto (um menino), foram analisados amostras de todos os órgãos, placenta e cordão umbilical. No cérebro, além dos danos que o ultrassom já havia revelado, os pesquisadores encontraram as estruturas neuronais destruídas, o que aponta os neurônios como a "morada" da zika no cérebro.
O vírus foi encontrado em grande quantidade somente no tecido cerebral. Os pesquisadores testaram as amostras como outras flaviviroses, como dengue, chikungunya e febre amarela, além de citomegalovirus, rubéola, toxoplasmose, entre outros, mas todas foram negativas.
"Para mim, é evidência definitiva. Não se fala em outra coisa entre os cientistas", afirma o infectologista Esper Kallas, professor da USP (Universidade de São Paulo). No entanto, para outra parte da comunidade científica, ainda serão necessários mais estudos para estabelecer de fato essa relação.
"É mais um exemplo de coexistência, apenas mais um caso de detecção do vírus em um feto com microcefalia. Coisas podem coexistir. Não é válido dizer que isso é evidência", diz o cardiologista Luis Correia, especialista em medicina baseada em evidência.


