Curitiba - Conforme a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Paraná (NETP/PR), Stella Maris Machado Natal, o órgão recebeu denúncias de tráfico de pessoas de diversas regiões do Estado, principalmente de vítimas que moram em grandes cidades. "Nestes locais as pessoas têm mais acesso à informação e por isso fazem as denúncias. Em municípios pequenos, o desconhecimento sobre esta prática criminosa acaba impactando na falta de registros. Por isso é importante divulgar cada vez mais as ações de prevenção", ressaltou.
O estudo "Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas em Área de Fronteira", da Secretaria Nacional da Justiça (SNJ), vinculada ao Ministério da Justiça (MJ), divulgado em outubro do ano passado, aponta áreas de vulnerabilidade e risco de incidência do tráfico de pessoas no Paraná.
Na modalidade de adoção ilegal de crianças e adolescentes, a pesquisa cita as cidades de Foz do Iguaçu, Curitiba, Londrina e São João do Triunfo como locais de origem dos menores e, como destino, a cidade de Piraquara (Região Metropolitana de Londrina), além de países como Estados Unidos, Argentina e Paraguai. Em relação à exploração de trabalho escravo, o estudo cita que as vítimas são das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, além da fronteira com o Paraguai, e têm como destino Cascavel, Umuarama, Clevelândia, Engenheiro Beltrão, Cambira, Reserva, União da Vitória, Palmas, Porto Vitória, Ponta Grossa e General Carneiro. Já trabalhadores da construção civil, saem do Nordeste, Goiás, Mato Grosso e da fronteira com o Paraguai e são deslocados para Curitiba e região metropolitana e Foz do Iguaçu e região.
Já sobre servidão doméstica, a pesquisa indica que paraguaias são remanejadas para trabalhar em Foz do Iguaçu e região. Com relação à exploração sexual, mulheres brasileiras de Foz do Iguaçu, Curitiba e região, Guaíra, Londrina, Maringá, Cascavel, Paranaguá e Campo Mourão são levadas para Espanha, Portugal, Itália, Argentina, França, Inglaterra, Suíça e Alemanha. Argentinas e paraguaias também são aliciadas para serem exploradas em Foz e região. Há ainda casos de mulheres de Umuarama, Maringá, Guarapuava, Pinhão, Curitiba, e dos Estados de Goiás e Minas Gerais, que são deslocadas para trabalhar em Foz, Curitiba, Guaíra e Paranaguá.(R.C.J.)

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