Rio, 22 (AE) - Estudo inédito realizado desde 1991 pelo professor Mauro Schechter, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que acompanhou 506 pacientes soropositivos por um período médio de 4 anos, mostra a eficácia do tratamento preventivo da tuberculose entre doentes que tenham tido contato com o bacilo da doença. De acordo com o estudo, a possibilidade de um paciente infectado pelo vírus HIV vir a morrer por tuberculose diminui em 60%, caso ele faça a quimioprofilaxia anti-tuberculose, tratamento que, segundo o médico, custa cerca de 10 reais por ano.
O trabalho, que será apresentado amanhã (23) durante o I Curso Pan-Americano de Atualização em Tuberculose, realizado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), na Ilha do Fundão, zona norte do Rio, mostra ainda que diminui em 84% a possibilidade de o soropositivo desenvolver a tuberculose, mesmo tendo tido contato com o bacilo, caso faça o tratamento preventivo.
"Infelizmente, existe no País uma banalização da tuberculose, que não é vista como doença perigosa, apesar de ser a infecção mais frequente em doentes de aids ", diz Schechter, que é o coordenador de pesquisa do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do HUCFF. "O HIV é um potente deflagrador da tuberculose." O estudo "Impacto da tuberculose e da quimioprofilaxia na sobrevida com infecção pelo HIV" será apresentado às 11 horas de amanhã, no auditório do hospital.
A necessidade da profilaxia entre os soropositivos em relação à tuberculose é uma recomendação do Ministério da Saúde, que, na prática, segundo Schechter, não é obedecida. "É muito mais uma questão de educação da classe médica porque a recomendação para isso já existe", diz o médico. "Mas nem tudo que é fácil e barato funciona", reclama. O tratamento é feito por um período de seis meses a um ano, à base de isoniazida e vitamina B-6 - cada ampola custa US$ 0,2. Outro estudo feito por Schechter com 1.600 pacientes de quatro Países (Brasil, EUA, Haiti e México) aponta como alternativa de quimioprofilaxia o uso combinado de rifampicina e pirazinamida, por um período menor, de dois meses.

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