Que obesidade, altos níveis de colesterol e hipertensão levam a problemas cardíacos já era de conhecimento de todos. Agora há mais um motivo para ficar de olhos abertos. Segundo um estudo realizado pelo sueco Aging Research Center, ligado ao Karolinska Institutet, uma das maiores instituições de ensino de medicina da Europa, esses fatores aumentam também as chances de uma pessoa desenvolver demência.
''Essa informação ajuda a evitar a doença de Alzheimer, por exemplo'', explica Paulo Renato Canineu, geriatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). ''Embora 95% dos casos não apresentem o componente hereditário, quando houver um caso na família, a pessoa pode procurar e receber orientações de como não aposentar o cérebro.''
O estudo, liderado pela médica Miia Kivipelto levou em conta a observação, há 20 anos, de 1.409 pacientes finlandeses entre 39 e 64 anos e que não tinham demência. Os mesmos pacientes voltaram a ser estudados recentemente, em busca de sintomas de demência, ou seja, Alzheimer ou outros distúrbios vasculares. Sessenta e uma pessoas, o equivalente a 4% do grupo, sofriam de demência. Neles, estava clara a influência da obesidade, hipertensão e colesterol alto.
A partir desses dados, os pesquisadores concluíram que apresentar um destes fatores dobra o risco de se desenvolver demência. Se a pessoa se encaixar nos três fatores, as chances aumentam seis vezes. ''A explicação mais direta é que existe uma relação entre o colesterol e algumas das lesões que aparecem em pacientes com Alzheimer. Considerando esses fatores em geral, há ligação entre eles e lesões vasculares no cérebro'', diz Cássio Bottino, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). ''Ainda não está confirmado, mas acredita-se que o metabolismo das gorduras no colesterol influa na deposição da proteína beta-amilóide no cérebro, que leva à doença de Alzheimer'', acrescenta Paulo Renato Canineu, da Abraz.
A equipe de pesquisadores elaborou um método para determinar o risco de uma pessoa sofrer de demência no futuro, levando em conta os novos fatores, aliados aos já conhecidos, como idade e nível de escolaridade. O teste considera ainda o hábito de realizar atividades físicas, fatores genéticos e o índice de massa corporal.
A idéia é que os médicos passem a fazer uso do trabalho para iniciar a prevenção o mais cedo possível. ''Esse tipo de estudo epidemiológico é importante para chamar a atenção para os riscos potenciais'', acredita Cássio Bottino, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da USP.

mockup