O sexo virtual é apenas uma forma de buscar o prazer que, como qualquer coisa na vida, pode ser prejudicial se levado com exagero e pode até ser benéfico. Esta é a opinião de estudiosos do comportamento humano, que tranquilizam os brasileiros: são poucos os casos de compulsão por sexo virtual, no País ou no exterior, e eles só ocorrem com quem tem predisposição ao comportamento compulsivo.
Essa notícia é um alento a quem ficou preocupado com as conclusões de uma série de estudos sobre o tema publicados recentemente nos Estados Unidos. A última edição do ‘‘Sexual Addiction and Compulsivity Report The Journal of Treatment and Prevention’’, publicação do Conselho Nacional de Compulsão Sexual norte-americano, traz, entre diversos artigos, o resultado de uma pesquisa realizada por psicólogos da Universidade de Stanford.
Os números apresentados deixaram o Tio Sam em estado de alerta: 17% dos internautas americanos passam, pelo menos, 11 horas por semana em busca de prazer sexual na rede, e 1% pode ser classificado como viciado em sexo on-line. Daí a se pensar que a compulsão por sexo virtual pode estar a um clique de mouse, foi um passo.
Para especialistas brasileiros, no entanto, o impacto causado pela pesquisa é desmedido. ‘‘Existe uma tendência na psiquiatria e na psicologia norte-
americanas de tentar aglutinar sintomas e transformar essa soma em doença, tomando o efeito pela causa. Isso é alarmista e reducionista’’, considera o psiquiatra e psicoterapeuta Sérgio Campanella, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Autor do livro ‘‘A Sexualidade do Homem’’ (Editora Lemos), com mestrado e doutorado no assunto, Campanella acredita que essa tendência norte-americana é também algo moralista, superficial e empírica, pois ‘‘transforma angústias e comportamentos em doenças’’.
O psiquiatra Ricardo Bacarelli, de São Paulo, faz coro: ‘‘Os americanos têm o costume de concluir tudo muito rápido’’. Idealizador de um site sobre sexo para adolescentes chamado Caliente (www.caliente.com.br), Bacarelli diz que é muito cedo para se obter qualquer conclusão, seja no Brasil ou nos Estados Unidos.
Por que a procura por sites e chats de conteúdo erótico é tão grande? A palavra-chave é anonimato, explica Rodrigues. ‘‘A pessoa tem a liberdade de desejar o que quiser. Mesmo se for a uma ‘casa de massagem’, sem que ninguém saiba, ela estará expondo seu desejo e isso causará, de alguma forma, constrangimento. Na Internet, não.’’
Para os especialistas, há pontos positivos no cibersexo, ligados principalmente ao autoconhecimento. ‘‘O sexo virtual pode ser saudável, pois dá asas à imaginação e brinca com a noção de verdade e mentira’’, diz Campanella, ‘‘e quem o pratica passa por uma etapa de autoconhecimento, experimenta as várias modalidades de prazer. É como se estivesse treinando a máquina’’. Ou seja, essa prática oferece as mesmas possibilidades da masturbação. ‘‘Pode ser uma chance de reconhecer os limites sexuais e sentimentais e lidar com as fantasias, sem grande comprometimento’’,
complementa Rodrigues.
Contanto, salientam os psiquiatras, que o cibersexo não seja feito em excesso e não exclua outras possibilidades de prazer. Como resume Bacarelli, ‘‘o problema não é fazer sexo virtual, é limitar-se a ele’’.
A Igreja Católica divulgou uma relação de pecados ‘‘virtuais’’ na revista italiana ‘‘Famiglia Cristiana’’, uma das principais publicações da Santa Sé. Segundo a lista, são condenados, tanto quanto seus correspondentes no mundo real, o adultério e as conversas eróticas por e-mail, ICQ, chat e qualquer sistema de comunicação que surja na Internet. Se um homem ‘‘faz de conta’’ que tem uma relação sexual com uma mulher fora dos preceitos da Igreja, deverá ter a mesma penitência de quem o tenha feito de fato. A recomendação do Vaticano é utilizar salas de bate-papo e sites apenas para pesquisas e estudos.

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