Apontadas como a saída para aumentar a geração de energia no País a curto e médio prazo, as usinas termelétricas têm um lado negativo que atinge diretamente o meio ambiente: a emissão de gás carbônico (CO2). O pesquisador Maurício Tolmasquim, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mediu o impacto ambiental do plano emergencial do governo, que pretende instalar 17 dessas usinas, movidas na grande maioria a gás natural, até 2003.
O Brasil tem uma necessidade de gerar mais 4 mil megawatts (MW) de energia por ano. Os cálculos de Tolmasquim indicam que, se metade dessa energia vier das usinas termelétricas, 6,6 milhões de toneladas de carbono serão emitidas no meio ambiente anualmente. Segundo o pesquisador, equivale a 10% de toda a emissão de gás carbônico no Brasil. O principal efeito do dióxico de carbono no meio ambiente são as mudanças climáticas, levando ao efeito estufa.
''Nos países desenvolvidos, as usinas a gás natural substituíram as termelétricas movidas a carvão, que eram muito mais poluentes. No Brasil, elas complementam a hidreletricidade, que tem baixo índice de poluição, pois emitem muito pouco metano. É grave, porque o impacto do carbono no meio ambiente é grande'', diz Tolmasquim, engenheiro e economista, coordenador do comitê sobre dimensão humana das mudanças ambientais na Academia Brasileira de Ciências.
Tolmasquim participou ontem no Rio de um seminário que reuniu especialistas em meio ambiente de vários países. Segundo o pesquisador, a solução para evitar a emissão exagerada de CO2 seria criar um mercado secundário para o gás natural, a ser usado na indústria, com maior índice de aproveitamento, deixando a operação das usinas termelétricas apenas para os casos de aumento da demanda de energia.

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