Estudar no Exterior exige cuidados
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domingo, 20 de setembro de 1998
Kênya Zanatta Agência Folha 
Tirar todas as dúvidas antes de embarcar. Este é o conselho para quem quer estudar um idioma onde ele é falado. É sempre bom ter uma garantia por escrito de tudo o que for combinado, afirma a agente de viagens Cristiane Boulhosa de Almeida, que trabalha na área de cursos no Exterior há 18 anos.
Ela diz que as pessoas se esquecem de verificar detalhes importantes, como as condições do local de hospedagem, a distância até a escola e o nível do curso.
A agrônoma Daniele Jorge de Paula, 27, passou 40 dias em Londres para estudar inglês. Ela ficou hospedada em uma casa de estudantes com cinco quartos, mas apenas dois banheiros. Eu não sabia que haveria 12 pessoas na casa. De manhã, era a maior fila para tomar banho. Ela diz que demorava 50 minutos para chegar até a escola, de metrô. Apesar dos problemas, Daniele diz que gostou do curso. Mas, aconselha que o melhor é evitar a alta temporada.
O estudante Bráulio Simões, 20, pretendia passar um mês estudando inglês nos Estados Unidos. Mas, quando chegou à escola, não havia ninguém para recebê-lo, como tinha sido combinado.
Fiquei duas horas esperando. Eu não tinha para onde ir, porque ia ficar hospedado na escola, afirma. Ele conversou com alguns alunos que também não estavam satisfeitos com a escola e decidiu voltar para o Brasil. Simões não pediu informações sobre a escola antes de viajar. Eu tinha um folheto sobre o curso. Confiei no que me falaram aqui. Depois de retornar, ele obteve a devolução do dinheiro por meio da agência onde fez o negócio.
Selma do Amaral, técnica da Diretoria de Estudos e Pesquisas do Procon de São Paulo, explica que a agência no Brasil é a responsável por problemas com os serviços contratados no Exterior. Quem for prejudicado, pode recorrer ao Código do Consumidor e pedir pelo menos um desconto no preço.
Inglês, mais procuradoOs brasileiros estão cada vez mais indo estudar no Exterior. Estima-se que 65 mil pessoas tenham saído do País para estudar em 97. Neste ano o número deve ficar entre 75 mil e 78 mil.
A estimativa foi produzida pela Belta (Associação Brasileira de Operadores e Representantes de Programas Educacionais e Cursos no Exterior), baseada na atuação dos seus 19 associados e de outras grandes agências do País. Os cursos de idiomas são os mais procurados, correspondendo a cerca de 45% do total. O inglês é o idioma mais procurado, e os países que mais recebem estudantes são Estados Unidos e Inglaterra.
Segundo o presidente da Belta, Celso Luiz Garcia, o aumento na procura deve-se às novas exigências do mercado de trabalho, que enfatiza o domínio de idiomas - especialmente o inglês.


