Estudantes vão à Justiça contra greve
Representação de universitários mineiros cita nominalmente o presidente FHC e o ministro Paulo Renato de Souza
Das agências
Treze alunos do último ano do curso de direito da Universidade Federal de Uberlândia (Triângulo Mineiro) entraram com representação na Justiça Federal daquela cidade pedindo abertura de ação civil pública contra o governo federal por causa da greve dos professores universitários. A representação cita nominalmente o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Os alunos, que estão com formatura agendada para dezembro, querem garantir que não serão prejudicados com a paralisação dos professores.
‘‘O governo fica de braços cruzados e os alunos são usados como massa de manobra’’, disse Ricardo Rocha Viola, um dos signatários da representação. Segundo ele, os alunos estão preocupados com o conteúdo que vão perder por causa da greve. ‘‘Teremos que fazer o provão que cobra toda a matéria do quinto ano. Como estaremos preparados se estamos sem aula?’’, disse. O procurador da República em Uberlândia, José Cardoso Lopes, disse que depois que analisar a ação deve pedir a declaração de ilegalidade da greve na cidade.
Os professores em greve da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conseguiram ontem rolar, por 15 dias, suas dívidas nos supermercados de Florianópolis. Só o estabelecimento que funciona no bairro da Trindade, onde está a universidade, fatura com professores e funcionários cerca de R$ 400 mil por mês. A associação dos professores negociou com os supermercados um novo prazo para os cheques pré-datados que estão vencendo nesta semana. Devido à greve, o Ministério da Educação suspendeu os salários dos professores, que seriam pagos anteontem.
Em Belo Horizonte, a Associação de Profissionais Docentes da Universidade Federal de Minas Gerais já conseguiu reunir R$ 350 mil para conceder empréstimos especiais para os professores em greve que tiveram o salário retido pelo MEC. Em São Luís, a Associação dos Professores da Universidade Federal do Maranhão entrega hoje à Associação Comercial um documento informando que a inadimplência no comércio deve aumentar a partir deste mês por conta da greve dos professores universitários.
O procurador da República do Distrito Federal Luiz Francisco Fernandes de Souza enviou ontem ofício ao MEC recomendando que se faça o repasse das verbas às instituições federais para o pagamento dos salários dos docentes. O ministério não é obrigado a cumprir a recomendação, mas terá de enviar informações sobre a atuação do governo em relação ao movimento. O ministro Paulo Renato Souza, reafirmou ontem que só vai negociar com os professores das universidades federais após a suspensão da greve. Em nota publicada no final de semana, o ministro havia proposto que os docentes suspendessem a greve até hoje. A greve teve início no dia 31 de março. Até no início da noite de ontem, 34 das 52 universidades já tinham realizado assembléias definindo pela continuidade da greve, segundo a Andes (entidade que reúne os docentes das universidades federais).

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