Estudantes temem cancelamento de programa de licenciatura
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segunda-feira, 03 de agosto de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Estudantes de todo o País que se candidataram a uma vaga para o Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI) aguardam há quase dois meses a divulgação do edital previsto para junho deste ano. Segundo eles, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), não fornece informações sobre o atraso. Eles temem que o programa possa ser cancelado. O PLI visa internacionalizar a formação de professores brasileiros.
Luiz Bruno de Bom da Silveira, de 25 anos, cursa o 4º ano de Química na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele vê cada vez mais distante o sonho de poder fazer o programa de capacitação em Portugal. "A gente liga no telefone indicado, eles nos redirecionam para o site. Do site, empurram para o telefone. É uma agonia muito grande, pois o tempo está passando e ficamos amarrados", contou. De acordo com o edital, o início das atividades do projeto estava previsto para este mês.
O número de candidatos inscritos não foi divulgado pela Capes, mas o edital nº 74/2014 prevê 280 vagas para estudantes de cursos de Biologia, Física, Matemática, Química e Português. Os avaliadores selecionam 40 projetos, com até sete estudantes cada. Dez universidades portuguesas devem absorver os alunos: Algarve, Aveiro, Beira Interior, Évora, Lisboa, Minho, Nova de Lisboa, Porto, e de Trás-os-Montes e Alto Douro. O programa tem duração de dois anos, prorrogáveis por mais dois anos. Cada aluno conta com mensalidade de 870,00 euros, além de auxílio instalação de 1.320,00 euros e auxílio deslocamento entre os dois países de 1.255 euros.
"É um sonho poder buscar esse conhecimento que será compartilhado com os futuros alunos, mas hoje já não estou certo de que isso vá acontecer", lamentou Kleytone Alves Pereira, de 24 anos, estudante de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A maior preocupação é com os prazos apertados. A maioria das universidades de Portugal retoma o calendário no início do mês que vem. "Só o processo para a emissão do visto leva aproximadamente um mês. Já deveríamos estar dando entrada", calculou.
Com a falta de notícias oficiais, os alunos buscam nos bastidores alguma posição sobre o atraso do edital. Em um grupo fechado nas redes sociais, eles se juntam para trocar informações. Na última sexta-feira, Fernanda Pastre solicitou uma reposta à Capes. O órgão informou que o edital não havia sido cancelado e que em breve daria mais informações pelo site. No entanto, segundo ela, no mesmo dia, um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) teria dito que os coordenadores portugueses receberam a seguinte mensagem: "A Capes decidiu não publicar os resultados do Edital n.º 74/2014, devido a ajustes orçamentários e consequente atraso na publicação dos resultados, que inviabilizou o início das atividades académicas (sic) para setembro de 2015". "É por isso que estamos revoltados. É muita falta de respeito. Eles deram satisfação pra coordenador português e esqueceram dos coordenadores brasileiros e dos alunos que aguardam ansiosos", criticou.
A reportagem entrou em contato ontem com a Capes. A assessoria de imprensa informou que a Capes e as agências parceiras nos respectivos países estão estudando a adequação de novo cronograma a ser divulgado em breve.


