Estudantes suspendem ocupações em Maringá
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
Chris Beller e Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Integrantes da União Paranaense dos Estudantes (Upes) se reuniram com representantes do governo do Estado para discutir melhorias para as escolas estaduais. A negociação foi agendada após a desocupação de três colégios em Maringá. Na manhã de ontem, os alunos deixaram as escolas Gerardo Braga, ocupada desde o dia 18 de maio; Tancredo Neves e Adaile Maria Leite, ambas ocupadas na última quarta-feira. Um grupo de estudantes seguiu para Curitiba.
Durante a tarde, após reunião na presença do governador Beto Richa, foi acordada a inclusão de um representante dos estudantes no Conselho de Alimentação Escolar, contratação de mais nutricionistas para as escolas estaduais, entrega de relatório sobre as obras paralisadas nas escolas e as condições físicas e jurídicas para a retomada das construções e divulgação de balanço detalhado das licitações da merenda escolar. Os estudantes solicitaram ainda que nenhuma medida judicial seja adotada para punir os participantes das ocupações. O governo do Estado deve realizar um inventário para avaliar eventuais danos causados nos colégios que foram ocupados.
De acordo com a assessoria de imprensa da Casa Civil, a contratação de nutricionistas está garantida. No entanto, o governo ainda deve analisar a questão financeira para ampliar o quadro de funcionários. Em entrevista coletiva, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, afirmou que todas as informações serão repassadas ao grupo. "O que nós pedimos [em relação à merenda] é a colaboração dos estudantes. Vamos baixar uma determinação para que estudantes e chefes de núcleo também fiscalizem a merenda", relatou.
Representantes da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa também participaram das negociações. "A lição que fica é a do diálogo", resumiu Hussein Bakri (PSD). Ele e outro deputado da Comissão, Professor Lemos (PT), tentaram desembarcar em Maringá no domingo para negociar com os estudantes, mas o avião em que eles estavam não conseguiu pousar por causa da chuva. A reunião contou ainda com a presença do procurador-geral do Estado, Paulo Rosso, e da secretária de Estado da Educação, Ana Seres.
Para o presidente da Upes, Matheus dos Santos, houve avanço no diálogo com o governo. No entanto, o grupo aguarda os desdobramentos da reunião. "O movimento não acabou, as ocupações foram apenas suspensas. Em 15 dias, eles devem encaminhar os relatórios. Não é a Upes que ocupa as escolas, são os estudantes que fazem a manifestação. Nós damos apenas o direcionamento para o movimento", afirmou. Ao ocupar as escolas estaduais, os estudantes reclamaram da má qualidade da merenda, da falta de professores e da infraestrutura precária de alguns colégios.


