Curitiba- Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ocuparam o prédio da reitoria, ontem de manhã, prometendo ficar pelo menos até o meio-dia de hoje no local. A ocupação, que faz parte de uma agenda nacional organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), com manifestações em todo País, prometia ser pacífica, mas dois grupos de estudantes se desentenderam sobre a condução do movimento. Na hora do almoço, faixas ostentadas pelo primeiro grupo, que já havia ocupado o prédio, foram arrancadas e queimadas no pátio da universidade, provocando um impasse entre as partes.
Antes da ocupação, os universitários participaram da manifestação dos servidores públicos federais, realizada em frente ao prédio da UFPR. Por volta de 10h30, cerca de 70 estudantes se dirigiram à reitoria. No caminho, em um ato simbólico, entregaram rosas brancas aos funcionários. Para a reitora interina, Márcia Helena Mendonça, eles explicaram que se tratava de um movimento pacífico, nacional, e que pretendiam ficar no prédio até a manhã de hoje. Eles também pediram que todos os funcionários do prédio saíssem. Segundo a assessoria da UFPR, a reitoria entendeu o significado do movimento e deixou o prédio, na expectativa do movimento terminar em 24 horas.
Perto do meio-dia, estudantes que saíam das aulas foram se aglomerando no pátio da reitoria, no que parecia ser um movimento de solidariedade à ocupação. Outro grupo de estudantes, no entanto, apareceu no local. Eles denunciaram a ocupação, como sendo ''uma farsa'', uma vez que tinha prazo determinado para acabar. Houve bate-boca e o segundo grupo retirou e queimou as faixas, que tinham sido colocadas pelos ocupantes.
Segundo um dos estudantes que organizou a ocupação, João Paulo Mehl, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o movimento integra a programação do ''Dia Nacional de Mobilização nas Universidades Públicas'', organizado pela UNE. Os estudantes reivindicam a criação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, que contemple a construção de creches, restaurantes universitários, moradia estudantil, financiamento para o transporte e bolsas de auxílio aos estudantes carentes; e a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação, garantindo o investimento de 10% do PIB destinado à educação.
Sobre a confusão entre os próprios estudantes, Mehl esclareceu que teria sido uma reação ''normal'' de um grupo de oposição ao DCE. ''Os movimentos estudantis são formados por grupos políticos. É natural que haja oposição, mas temos uma pauta comum em defesa das universidades públicas'', acrescentou.
Outra reivindicação é a garantia de autonomia administrativa e de gestão financeira para as universidades, com eleições diretas para reitor e garantia de paridade nos Conselhos Universitários.(Colaborou Andréa Lombardo)

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