Estudantes reclamam de fechamento de escola rural na região de Londrina
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Samara Rosenberger - Redação Bonde 
A Secretaria Estadual de Educação, por meio do Núcleo Regional de Educação (NRE), anunciou o fim das atividades em quatro colégios na região de Londrina em novembro do ano passado. A medida, no entanto, não agradou aos alunos da escola João de Santa, localizada no km 9 da Estrada da Prata, no município de Cambé. O encerramento, previsto para o próximo dia 31, afetará cerca de 30 alunos do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, entre 12 e 14 anos.
De acordo com o presidente da União Cambeense dos Estudantes Secundaristas (UCES), Bruno Aparecido da Silva, a distância até a nova escola e o transporte devem dificultar o comparecimento dos alunos às salas de aula. "São 20 km", diz, referindo-se ao Colégio Estadual Érico Veríssimo, situado no centro de Cambé. Segundo ele, a dificuldade de locomoção, principalmente nos dias chuva, pode gerar desistência e reprovação, prejudicando a formação dos adolescentes. "Nossos estudantes são de famílias humildes, precisam ajudar o pai ou a mãe no sítio, além do que os veículos não conseguem chegar nos locais quando o tempo está ruim", argumenta. Alguns alunos terão de bancar o transporte, de acordo com Silva.
O presidente da UCES ainda alega que o NRE não cumpriu a lei 12.960, de 27 de março de 2014, a qual exige a "análise do diagnóstico de impacto da ação e manifestação da comunidade antes do fechamento de escolas de campo, indígenas ou quilombolas". "Não houve qualquer estudo, ou seja, não procuraram saber como o fechamento iria afetar a vida dos alunos", reclama. "Além disso, os representes do Núcleo comparecem à escola e fizeram o comunicado verbalmente; não emitiram qualquer notificação".
As justificativas apresentadas pelo NRE, conforme Silva, não convenceram as famílias dos alunos. "O órgão diz que a escola não tem o número mínimo de estudantes. É um total descaso do governo conosco", protesta.
O Núcleo, por sua vez, afirma que realizou o estudo e uma reunião com a comunidade. "Tenho a ata em arquivo. Explicamos toda a parte pedagógica para os presentes", explica Lúcia Cortez, chefe do NRE. "É claro que não houve unanimidade, mas a maioria concordou", garante.
Lúcia acredita que os alunos serão melhor atendidos no novo colégio. "Na escola de campo, não existe a capacidade de interação entre os alunos, fator que restringe a aplicação pedagógica. No Érico Veríssimo, eles serão incluídos em um sistema maior, com maiores benefícios como semanas culturais e equipe multidisciplinar", justifica. O transporte, segundo ela, será feito em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e não acarretará despesas para os estudantes. "Essas crianças já são transportadas pelo veículos. A única mudança é que eles desembarcarão no Érico e não no João Santa".
Além do número reduzido de alunos, o corte de gastos pode ter influenciado na decisão pelo fim das atividades. "São 16 servidores para atender apenas 23 alunos. Quando falamos em escola estadual, é claro que isso inclui dinheiro público", finaliza Lúcia.


