Estudantes protestam e ocupam escolas no Paraná
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quarta-feira, 05 de outubro de 2016
Thamiris Geraldini e Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Alunos de escolas estaduais do Paraná se reuniram em um novo protesto realizado na manhã desta quarta-feira (5) em várias cidades do Estado. Em Londrina, os manifestantes contrários à reforma no ensino médio se concentraram na Concha Acústica. Em coro, o grupo pediu a saída do governador Beto Richa, que pretende suspender o reajuste do funcionalismo no Paraná. O grupo ameaçou ainda ocupar escolas da cidade caso a reforma seja aprovada pelo governo federal. O movimento teve o apoio direto de professores e funcionários dos colégios.
Segundo o professor Bruno Garcia, a principal reivindicação é que a reformulação do ensino médio seja discutida com a participação de estudantes, professores e representantes de movimentos sociais. "Não somos contra a reforma do ensino, pelo contrário, concordamos com ela. Mas defendemos que a alteração seja amplamente discutida com a comunidade escolar, que será atingida diretamente por qualquer que seja a mudança adotada pelo governo", afirmou.
A opinião é compartilhada pelo professor de sociologia Camilo Serafim que, além de criticar a "falta de diálogo na reforma", afirmou que a mudança deve desvalorizar a profissão. "Queremos que a reforma seja discutida com todos os envolvidos para evitar situações que prejudiquem um dos lados. A exclusão de disciplinas é um ponto que precisa ser reconsiderado porque isso, além de prejudicar os professores, vai prejudicar também os alunos." Em Londrina, os manifestantes seguiram pela região central e percorreram a Avenida Higienópolis até o Colégio Vicente Rijo.
O presidente da Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) em Londrina, Márcio André Ribeiro, explicou que o protesto também foi motivado pela PEC 241 e pelo PL 257, que tramitam no Congresso Nacional. "A PEC 241 não atinge só a educação básica, atinge também as universidades estaduais e federais. É a desvinculação da obrigatoriedade mínima de investimentos em saúde e educação. Esse é só um dos itens da PEC e a nossa luta é para que isso não aconteça. Entendemos que a proposta significa um desmonte na carreira do funcionalismo público", resumiu.
Já o PL 257 se refere à questão fiscal dos Estados que, segundo ele, poderiam decidir por não conceder a reposição salarial em caso de dificuldades financeiras. "Hoje é até difícil dizer um único motivo para a mobilização. São vários. Vemos que toda a estrutura destinada à educação está sendo desmontada." Na manhã desta quinta (6), a categoria se reúne em Curitiba para deliberar sobre uma possível greve dos docentes.
A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) também convocou uma assembleia para sexta-feira para discutir sobre a realização de uma paralisação geral. A diretora de comunicação da Upes, Keilla Nascimento, informou que os alunos também querem participar do debate sobre a reforma do ensino médio. "Queremos diálogo! O projeto foi colocado de forma autoritária, imposto à juventude e à sociedade sem nenhum tipo de debate, ação que representa de maneira clara o tipo de democracia praticada pelo governo atual", afirmou. OCUPAÇÕES Segundo a Upes, cerca de dez colégios foram ocupados pelos estudantes como forma de protesto. Sete deles ficam em São José dos Pinhais, um em Maringá, um em Ponta Grossa e um em Fazenda Rio Grande. As ocupações ocorreram de forma pacífica e, em alguns locais, os manifestantes contam com o apoio da comunidade. "Muitos colégios ocupados têm suas pautas próprias, buscando uma escola de melhor qualidade, como a reforma geral dos colégios (pintura, cortina e acessibilidade)", explicou Keilla.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou que acompanha a manifestação dos estudantes e que "os canais de diálogo estão abertos". A secretaria reafirmou que 32 seminários serão realizados de forma simultânea no dia 13 de outubro para discutir a reforma no ensino médio.


