Estudantes protestam e insultam D.Ruth
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terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Murilo Fiuza Melo 
A primeira-dama Ruth Cardoso deixou ontem pela manhã o auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), na zona sul da cidade, sob escolta policial, após ser alvo de protesto de estudantes contrários à privatização da universidade pública, que chegaram a atirar moedas contra ela. Dona Ruth assinava um protocolo de intenções entre 20 instituições de ensino público e privado do Rio e do Espírito Santo para regionalizar as ações do programa Comunidade Solidária quando o auditório foi invadido por cerca de 200 manifestantes da própria UniRio e das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
No auditório, onde estavam vários reitores de universidades públicas e privadas, os estudantes interromperam a solenidade por cerca de 40 minutos, com gritos ofensivos à primeira-dama e a seu marido, o presidente Fernando Henrique Cardoso, chamado de fascista e vagabundo. Dona Ruth, que assistia ao tumulto passivamente, chegou a ser atingida por notas amassadas de R$ 1,00, moedas e bolinhas de papel, jogadas por uma aluna mais exaltada que se recusou a revelar o nome.
Fora daqui, Dona Ruth, sai da nossa casa!, berravam os manifestantes, alternando os gritos com palavras-de-ordem, como Educação não se discute, privatiza a Dona Ruth ou Não pago, não pago, educação não é supermercado.
A manifestação começou às 9h50, quando alguns estudantes tentaram entrar por uma porta de vidro na lateral do auditório, que acabou sendo quebrada. Impedidos por três seguranças, eles caminharam em direção à porta principal onde, sem encontrar resistência, invadiram.
Cada reitor que tinha o nome anunciado pelo locutor para assinar o protocolo de intenções recebia uma sonora vaia dos estudantes.
Eu também sou contra a privatização da universidade, mas agora não é o momento para esse tipo de manifestação, tentava acalmar a diretora de Extensão da UniRio, Malvina Tuttmann, sem sucesso. No auditório, eles estenderam uma faixa contra o programa presidido por Dona Ruth - Universidade solidária esconde a privatização.
O clima esquentou quando alguns manifestantes tentaram invadir o palco, onde estava a primeira-dama. Nervosos, os poucos seguranças da universidade, tentavam impedir que os mais ousados subissem empurrando-os para o chão. Susana Gutierrez, 25 anos, aluna do 8º período de Teatro da UniRio, chegou a pegar no microfone, onde gritou palavrões contra o reitor e a primeira-dama.
Irritados com a aparente tranquilidade de Dona Ruth, os manifestantes gritavam que queriam ouví-la. A primeira-dama, então, tentou falar mas foi interrompida por vaias exaltadas. Só com diálogo é que realmente poderemos avançar na Educação, para construir um Brasil melhor, disse. Para quem não quer ouvir, porém, não há diálogo possível. Logo depois, ela deixou o auditório, protegida pelos seguranças.
No lado de fora, duas patrulhas do 2º Batalhão de Polícia Militar fizeram a sua escolta até o carro oficial, que deixou a universidade em disparada.


