Estudantes protestam contra cartazes machistas expostos na UFPR
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
Redação Bonde 
Cartazes encontrados no último final de semana no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) causaram revolta em grupos de estudantes. Os papéis traziam mensagens de apologia ao estupro e homofobia e foram postados no Departamento de Arquitetura e Urbanismo em resposta a outros cartazes que combatiam a prática.
Na manhã desta quarta-feira (27) foi protocolado um ofício do Diretório Central de Estudantes (DCE) pedindo abertura de Procedimento Administrativo para a apuração do caso.
"A universidade está inserida na lógica do resto da sociedade, neste sentido, a meritocracia, o individualismo e estas opressões permeiam nosso ambiente de estudo. Exemplo disto é a quantidade de professoras mulheres, professores negros e LGBTs que temos em nossos cursos, somados não chegam perto da quantidade de homens brancos e heterossexuais. A lógica da segregação, das piadas para o constrangimento são frequentes, nossos trotes reproduzem estas desigualdades, o assédio é rotineiro e a falta de espaços de diálogo e denúncia mantém a situação de forma invisibilizada", diz nota do DCE.
O Departamento ainda critica a omissão da universidade em casos de homofobia e violência contra a mulher. Um dos casos citados pelo DCE é de um estudante que teria estuprado uma colega de sala em uma festa e continua frequentando o curso, enquanto a jovem pensa em desistir.
"Se algo passa fora do espaço físico da universidade nada pode ser feito, ainda que as pessoas convivam cotidianamente nos mesmos ambientes. Se acontece no espaço universitário é difícil abrir uma sindicância para averiguar os fatos e estas em geral terminam por não responsabilizar agressores mas tentar amenizar os efeitos da denúncia das vítimas".
Nota da UFPR:
A Universidade Federal do Paraná não faz qualquer distinção de sexo, raça, cor, religião ou orientação sexual, sendo ainda pioneira no Brasil em políticas de inclusão das minorias.
Enquanto espaço democrático de construção de valores e transformação da sociedade, reafirma sua posição de respeito à diversidade. Mantém absoluta discordância de todas as formas de intolerância e agressividade, pois acredita que este mesmo respeito seja parte indissociável do senso crítico e da dignidade humana.
Após apuração do caso, todas as medidas cabíveis em coerência a esta posição serão adotadas.


