Estudantes podem perder o semestre
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domingo, 28 de junho de 1998
Agência Estado 
Arquivo/FolhaDecisão difícilTema predominante do 36º Conad, que termina hoje à noite, na Paraíba, é a greve nas universidadesO vice-presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Dalton Macambira, disse ontem, em Campina Grande, a 130 quilômetros de João Pessoa, que o primeiro semestre pode ser cancelado nas universidades federais, em greve há quase três meses. Caso o governo não ceda e o Congresso aprove o projeto de gratificações como veio do Ministério da Educação (MEC). Nós queremos um acordo com o MEC, disse Macambira.
O cancelamento do semestre é uma das três possibilidades consideradas pelos 55 delegados da Andes e mais 50 observadores de associações de docentes do País reunidos no 36º Conselho Nacional de Associações de Docentes (Conad). A Andes quer incluir no projeto de lei os professores de 1º e 2º graus, desvincular a avaliação de produtividade acadêmica da concessão de gratificação e dar aos aposentados os mesmos percentuais de reajuste.
Líderes O presidente da Andes, Renato Oliveira, se reúne hoje com líderes do governo para tentar convencê-los de que um acordo será bom para os dois lados. Os dirigentes da Andes estão preocupados com o tempo, pois a lei eleitoral que proíbe após 3 de julho a concessão de reajustes salariais aos servidores públicos. Não somos partidários do tudo ou nada, disse Macambira, que assumiu ontem a coordenação do Conad.
De acordo com Macambira, a maioria dos professores em greve quer um acordo com o governo. Ele aposta no recomeço das aulas nas universidades federais hoje. Se os grevistas forem totalmente derrotados, eles voltarão ao tabalho pensando no segundo semestre letivo. O MEC aprendeu a lição e a greve foi o melhor laboratório, disse o vice-presidente da Andes, que integra a nova direção da entidade, considerada moderada.
Macambira culpou os antigos dirigentes da entidade pelo impasse, em razão da demora em apresentar um substitutivo à proposta do governo. Mas disse estar indignado com o radicalismo do governo durante a greve. Radicalismo não é o melhor caminho para solucionar o impasse, reconheceu o professor, ao lembrar que o impacto orçamentário da contra-proposta apresentada pela Andes não ultrapassa R$ 400 mil. O governo não fará um acordo se não quiser mesmo, disse Macambira.
O tema predominante do 36º Conad, que termina hoje à noite, na Paraíba, é a greve nas universidades federais. O clima entre os grupos de trabalho é tenso, em razão da possibilidade de a greve terminar sem um acordo razoável. O cancelamento do primeiro semestre está sendo visto como a última cartada dos grevistas, que, mesmo assim, estão divididos entre o pessoal de Renato Oliveira e os simpatizantes da ex-presidente da Andes, Maria Cristina de Morais, que integra um grupo que controlou a Andes por quase 20 anos.


