Estudantes ocupam Rádio UEL
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quinta-feira, 03 de novembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Estudantes de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina ocuparam a Rádio UEL FM na manhã desta quarta-feira (2). O ato, segundo o coletivo de estudantes, é uma forma de protesto contra as medidas dos governos estadual e federal que atingem a educação, como a PEC 241, que limita os gastos do governo federal e levariam ao sucateamento dos serviços públicos. Com a ocupação, os estudantes pretendiam levar ao ar uma programação própria, mas a direção da emissora desligou os transmissores e a rádio ficou fora do ar.
Na página do movimento no Facebook, os estudantes publicaram uma carta explicando os motivos da ocupação da Rádio UEL. Segundo eles, a motivação partiu de outras ocupações realizadas na própria universidade e em outros pontos do País e como estudantes de comunicação, defendem a democratização da mídia. Na rede social, os alunos também pedem à comunidade a doação de alimentos e utensílios de cozinha para garantir a manutenção da ocupação. No início da semana passada, estudantes de Artes Cênicas da instituição já haviam ocupado o prédio do curso.
"O que eles fizeram não é uma ocupação. Ocupação é se apoderar de um bem material que não está sendo produtivo. A Rádio UEL foi invadida", afirmou o diretor da rádio, Osmani Costa, que nesta quarta (2) pediu a um técnico que desligasse os transmissores da rádio, que ficou fora do ar a partir do início da tarde. "Faz parte do jogo democrático protestar e reivindicar, mas invadir, não."
Costa disse que na terça-feira (1º) assinou com a reitora, Berenice Jordão, um acordo com o comando de greve da UEL, representado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região (Sindiprol), Associação dos Servidores da UEL (Assuel) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). O documento garante mais espaço na programação da rádio para a discussão da pauta de reivindicações do movimento grevista.
Os estudantes responsáveis pela ocupação da rádio, no entanto, afirmam não ser representados pelo DCE e que não querem mais espaço na emissora e, sim, a liberdade de colocar no ar a sua própria programação. "A ocupação é para abrir um diálogo. Queremos fazer uma programação alternativa", disse uma integrante do coletivo.
Nenhum dos ocupantes da rádio revela seu nome e o coletivo também se nega a informar quantos alunos estão na ocupação. Eles dizem apenas que fazem um revezamento ao longo do dia. Professores do curso também têm se revezado para dar apoio aos estudantes.
Nesta quarta, por ser feriado, a programação veiculada pela Rádio UEL era gravada. No início da tarde, na hora da chuva, houve queda de energia no campus e no final da tarde os alunos acreditavam que a rádio ainda estava fora do ar em razão desse desligamento. Ao serem informados pela reportagem de que os transmissores haviam sido desligados a pedido da direção da emissora, disseram que iriam discutir à noite, em assembleia, qual decisão tomar.
Costa disse que deverá comunicar nesta quinta (3) à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o que levou a rádio a ficar fora do ar e também deverá se reunir com a reitora, o vice-reitor e a Procuradoria Jurídica da UEL para discutir as medidas jurídicas cabíveis.
Recentemente, a rádio ficou dois meses e meio fora do ar por problemas técnicos. Para voltar a funcionar, a emissora fez campanhas de arrecadação de recursos para a compra de equipamentos. "É uma situação bastante preocupante. Só esperamos que (os estudantes) cuidem do patrimônio público."


