Estudantes ocupam Casa do Estudante da UEL
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quarta-feira, 27 de junho de 2007
Fernanda Borges e Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocuparam o prédio da Casa do Estudante, localizado no campus da instituição. A ação ocorreu na noite de terça-feira e até ontem os estudantes - encapuzados para não serem identificados - permaneciam no local.
O prédio foi construído na gestão anterior da UEL, mas uma série de falhas impediram sua utilização. A universidade prorrogou o contrato de aluguel de um prédio no Centro da cidade - onde estão residindo 118 estudantes - ao custo de R$ 14 mil por mês. No novo processo de seleção de moradores, que será concluído amanhã, 17 dos 119 inscritos foram reprovados por faltas escolares e falta de documentação. Dez recorreram, mas apenas cinco tiveram o pedido deferido. Os invasores seriam do grupo excluído da seleção.
Um dos alunos que participam da ocupação no campus disse não se tratar de um ato de reivindicação. ''Nós vamos morar aqui. Queremos autonomia. O problema começou quando alguns alunos foram excluídos do processo de seleção por meio de critérios que não concordamos. Existe uma perseguição política por parte da reitoria e por isso preferimos não nos identificar'', afirmou. Outro estudante comentou que o grupo não tem para onde ir. Eles não informaram em quantos estão na casa.
Em carta apresentada pelo reitor ontem à tarde, que teria sido escrita pelos ocupantes, os autores pedem que a energia elétrica do prédio seja ligada. Também denunciam ameaças e pressões sofridas pelos hóspedes para deixar a casa, falta de comunicação da UEL com os moradores e até ''preconceito étnico, social e de gênero''.
O vice-reitor da UEL, César Caggiano, disse que a luz da casa não deverá ser ligada por se tratar de uma invasão, mas não previu uso de força para retirada dos invasores. Para solucionar o impasse, o Conselho de Administração (CA) criou uma comissão que irá discutir mudanças no regimento da UEL e na seleção de moradores. ''Acredito que em um mês tenhamos uma solução'', afirmou.
O CA também discutiu o caso de uma estudante que teve um bebê e está morando com a criança, de dois meses, na Casa do Estudante do Centro. Ela também foi indeferida do novo processo, mas diz que não pode deixar a moradia. A UEL aguarda parecer do Conselho Tutelar.
Com um custo de R$ 1,4 milhão, a Casa do Estudante chegou a ser inaugurada pelo ex-reitor Eduardo Di Mauro, dias antes de entregar o cargo. Entretanto, segundo o pró-reitor de planejamento da UEL, Otávio Shimba, uma comissão interna constatou que a moradia não podia oferecer as 140 vagas previstas ''com um mínimo de conforto e intimidade''. Foram comprovadas diversas falhas, do projeto arquitetônico à estrutura. A casa sequer obteve o ''habite-se''.
A capacidade do prédio foi revista para 80 vagas. Recentemente a UEL retirou, de seu próprio orçamento, uma verba de R$ 300 mil para executar as reformas necessárias. Mas o vice-reitor admitiu ontem que ''são as mínimas as chances de terminar todas as reformas esse ano''. Conforme Shimba, serão necessários de 60 a 90 dias para conclusão do processo licitatório e pelo menos mais três meses para as obras.


