Estudantes não concluem ensino básico
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sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Demétrio Weber Agência Estado De Brasília 
Mais da metade dos estudantes brasileiros não consegue concluir a educação básica, ou seja, deixa de estudar antes de completar o ensino médio. Estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostra que, apesar da expansão das matrículas nos últimos anos, 51% dos alunos que ingressam na 1ª série do ensino fundamental permanecem em média dez anos e meio na escola, são reprovados pelo menos duas vezes e saem tendo cursado 8 das 11 séries do ensino fundamental e médio.
A projeção é relativa a 1998 e mostra alto grau de disparidades regionais: apenas São Paulo, Rio, Minas e Ceará apresentam taxas melhores do que a média nacional. No Pará, lanterna do ranking de expectativa de conclusão da educação básica, só 22 em cada 100 estudantes obtêm o certificado de 2º grau, segundo os dados do Inep.
Em São Paulo, onde foram registrados os melhores indicadores, esse número sobe para 58. A situação está longe do ideal que queremos, diz a
presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro. Segundo ela, a meta nacional deve ser 85% de expectativa de conclusão do ensino fundamental e médio.
Quando calculadas separadamente, essas taxas ficam mais próximas disso: 63% no 1º grau e 82% no 2º grau. O problema é quando o cálculo considera os dois níveis de ensino em conjunto.
Muita gente termina a 8ª série e, em vez de continuar estudando, vai para o mercado de trabalho, observa o diretor de Informações e Estatísticas Educacionais do Instituto João Batista Ferreira Gomes Neto.
Desde 1995, o Inep registra avanços nas chances de um aluno concluir a educação básica. Naquele ano a taxa era de apenas 32%, subindo para 44%, em 1996, e 49%, em 1998.
O cálculo da expectativa de conclusão da educação básica segue modelo adotado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A projeção é feita a partir das taxas de repetência e evasão, levando em conta a série histórica no País. O objetivo é medir a produtividade do sistema escolar, ou seja, sua capacidade de levar os alunos a concluírem o 1º e o 2º grau. A estimativa mostra a capacidade do sistema educacional em 1998.
Assim, se nada fosse feito para manter o aluno em sala de aula, melhorar a qualidade do ensino e diminuir a repetência, 51% do total de estudantes daquele ano não conseguiriam concluir as 11 séries da educação básica (8 no ensino fundamental e 3 no ensino médio). Isso significa que 21,8 milhões de alunos deixariam a escola sem completar o ensino médio. No caso do ensino fundamental isoladamente, seriam 13,2 milhões.
João Batista destaca que a atual geração de estudantes deverá ter um ganho de dois anos em sua escolaridade, em relação à média brasileira, que é de 6 anos na escola. Afinal, a projeção do Inep indica que o tempo de permanência no sistema educacional é de 10,5 anos, período em que seriam completadas 8 séries da educação básica, ou seja, todo o ensino fundamental. Já os que terminam o 1º e o 2º grau levam ao todo 13,7 anos.
A repetência continua sendo um fantasma na educação brasileira. No ano passado, a taxa foi de 21,3%, enquanto a evasão ficou em 4,5%. Isso explica o elevado número de estudantes com idade suficiente para já estarem com o certificado de conclusão na mão.


