Mais da metade dos estudantes brasileiros não consegue concluir a educação básica, ou seja, deixa de estudar antes de completar o ensino médio. Estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostra que, apesar da expansão das matrículas nos últimos anos, 51% dos alunos que ingressam na 1ª série do ensino fundamental permanecem em média dez anos e meio na escola, são reprovados pelo menos duas vezes e saem tendo cursado 8 das 11 séries do ensino fundamental e médio.
A projeção é relativa a 1998 e mostra alto grau de disparidades regionais: apenas São Paulo, Rio, Minas e Ceará apresentam taxas melhores do que a média nacional. No Pará, lanterna do ranking de expectativa de conclusão da educação básica, só 22 em cada 100 estudantes obtêm o certificado de 2º grau, segundo os dados do Inep.
Em São Paulo, onde foram registrados os melhores indicadores, esse número sobe para 58. ‘‘A situação está longe do ideal que queremos’’, diz a
presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro. Segundo ela, a meta nacional deve ser 85% de expectativa de conclusão do ensino fundamental e médio.
Quando calculadas separadamente, essas taxas ficam mais próximas disso: 63% no 1º grau e 82% no 2º grau. O problema é quando o cálculo considera os dois níveis de ensino em conjunto.
‘‘Muita gente termina a 8ª série e, em vez de continuar estudando, vai para o mercado de trabalho’’, observa o diretor de Informações e Estatísticas Educacionais do Instituto João Batista Ferreira Gomes Neto.
Desde 1995, o Inep registra avanços nas chances de um aluno concluir a educação básica. Naquele ano a taxa era de apenas 32%, subindo para 44%, em 1996, e 49%, em 1998.
O cálculo da expectativa de conclusão da educação básica segue modelo adotado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A projeção é feita a partir das taxas de repetência e evasão, levando em conta a série histórica no País. O objetivo é medir a produtividade do sistema escolar, ou seja, sua capacidade de levar os alunos a concluírem o 1º e o 2º grau. A estimativa mostra a capacidade do sistema educacional em 1998.
Assim, se nada fosse feito para manter o aluno em sala de aula, melhorar a qualidade do ensino e diminuir a repetência, 51% do total de estudantes daquele ano não conseguiriam concluir as 11 séries da educação básica (8 no ensino fundamental e 3 no ensino médio). Isso significa que 21,8 milhões de alunos deixariam a escola sem completar o ensino médio. No caso do ensino fundamental isoladamente, seriam 13,2 milhões.
João Batista destaca que a atual geração de estudantes deverá ter um ganho de dois anos em sua escolaridade, em relação à média brasileira, que é de 6 anos na escola. Afinal, a projeção do Inep indica que o tempo de permanência no sistema educacional é de 10,5 anos, período em que seriam completadas 8 séries da educação básica, ou seja, todo o ensino fundamental. Já os que terminam o 1º e o 2º grau levam ao todo 13,7 anos.
A repetência continua sendo um fantasma na educação brasileira. No ano passado, a taxa foi de 21,3%, enquanto a evasão ficou em 4,5%. Isso explica o elevado número de estudantes com idade suficiente para já estarem com o certificado de conclusão na mão.

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