Teerã, 14 (AE-ANSA) - Todas as pessoas presas durante os protestos dos últimos dois dias em Teerã serão julgados como "contra-revolucionários", anunciou hoje o vice-presidente do Parlamento, Hassan Rouhani, da ala conservadora. A pena para tal acusação é a morte. Os religiosos iranianos radicais realizaram hoje (14) uma mobilização de partidários para fazer oposição aos seis dias de manifestações pró-democracia. De acordo com a televisão estatal iraniana, cerca de um milhão de pessoas atenderam à convocação dos religiosos. No entanto, esse número não foi confirmado por nenhuma outra fonte independente. A televisão estatal iraniana mostrou imagens de dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Teerã, incluindo mulheres vestindo os véus negros islâmicos. De acordo com testemunhas, muitos manifestantes portavam retratos do aitolá Khamenei, mas não havia nenhuma do presidente moderado Mohammad Khatami - que tem o apoio dos estudantes. As autoridades haviam advertido ontem (13) que no dia de hoje (14) não seria permitida nenhuma outra manifestação que não fosse a favor do governo conservador. A televisão iraniana disse que muitas pessoas se concentraram nos prédios da Universidade de Teerã para expressar sua solidariedade ao aitolá Khamenei. Em Bagdá, os Mujajedines do Povo do Irã, principal grupo de oposição política e armada ao regime religioso conservador, divulgou hoje (14) uma nota afirmando que mais de 30 pessoas foram mortas nos choques com as forças de segurança nesta terça-feira (13) em Teerã. "Centenas de manifestantes ficaram feridos e outros milhares foram golpeados brutalmente pelas forças do regime", afirmaram os Mujajedines, que mantém um quartel general em Bagdá. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo nacional que representa a linha dura do governo, tem tentado desviar a culpa dos protestos liderados pelos estudantes até o para os Estados Unidos, "vilões e inimigos do Islam". O governo norte-americano rebateu hoje (14) essas acusações, classificando-as como "tolices absolutas". "Não interferimos em assuntos internos do Irã. Essa afirmação simplesmente não é correta", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin. Ele acrescentou que os Estados Unidos têm somente "conhecimento direto limitado" da situação no Irã. Rubin disse ainda que no país "estão ocorrendo demonstrações significativas que representam o desejo de mudança política das gerações mais jovens, que querem justiça e liberdade de expressão".

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