Curitiba - Vestidos de branco, munidos de apitos e um abaixo-assinado, cerca de 500 estudantes e profissionais da área da saúde, segundo a organização do evento, fizeram um protesto na manhã de ontem contra o projeto de lei do Ato Médico. A manifestação se estendeu pelo centro de Curitiba, indo da Rua XV de Novembro até a Praça Santos Andrade. O projeto que motivou a passeata tramita no Senado Federal desde 2002 e visa a regulamentação da profissão de médico, mas acaba invadindo a área de atuação de outros profissionais. A votação está marcada para o próximo dia 16 de maio.
Criado pelo então senador Geraldo Althoff (PFL-SC), que é médico, o projeto de lei estabelece que apenas médicos possam diagnosticar e prescrever tratamento para pacientes, mesmo que a doença esteja fora da especialidade. Assim, psicólogos, fisioterapeutas, biólogos, enfermeiros, farmacêuticos, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros, ficariam impedidos de exercer suas profissões sem a passagem do paciente por um médico. Na prática, se aprovado o projeto de lei, o tratamento especializado fica restrito ao poder da medicina, tornando extinta a interdisciplinaridade entre as áreas. Um psicólogo, por exemplo, só poderá atender a um paciente se o médico encaminhá-lo ao consultório.
Protestos semelhantes aconteceram em vários estados. Em Curitiba, a passeata reuniu alunos de todas as faculdades e universidades que oferecem cursos da saúde. A estudante de fisioterapia Flávia Luiza Matos começou organizar a caminhada contra o Ato Médico há três semanas. ''Nossa luta não é contra os médicos, mas para que a lei seja escrita de forma que não afeta as outras áreas'', disse a estudante, lembrando que muitos médicos são contra o Ato.
A fisioterapeuta e professora de anatomia de cursos da saúde Walquíria Garcia Zonta acredita que, caso o projeto se torne lei, será um retrocesso em todas as conquistas democráticas. Para ela, o Ato Médico é ''uma postura autoritária'', que mantém o poder centralizado na figura do médico. ''Estamos fazendo este protesto com uma postura dentro da lei. Temos direitos adquiridos, demoramos anos, com muito estudo e pesquisa, para conquistar essa autonomia. Como vamos perder isso agora?'', indaga Walquíria.
Os estudantes coletaram assinaturas para um abaixo-assinado que será encaminhada ao relator do projeto na Câmara do Deputados.

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