Estudantes fazem manifestação contra Pitta14/Mar, 17:44 Por Claudio Augusto São Paulo, 14 (AE) - Os caras-pintadas vão entrar na briga para derrubar o prefeito Celso Pitta (PTN). Quatro entidades estão organizando uma manifestação marcada para amanhã (15), na frente da Câmara Municipal. Os dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) querem reunir 5.000 manifestantes para "lavar" a sede do Legislativo. A concentração, chamada de "A Volta dos Caras-pintadas", tem início às 10 horas. Depois do ato na Câmara, os manifestantes vão sair em passeata em direção ao Palácio das Indústrias, onde fica o gabinete do prefeito. Lá, devem marcar o seu protesto com a lavagem simbólica do palácio. Cerca de 50 ônibus vão partir de vários pontos da cidade para levar os manifestantes à Câmara. O presidente da UEE, Daniel Vaz, disse que as entidades começaram a mobilizar os estudantes na segunda-feira. "Esse processo de corrupção na Prefeitura de São Paulo não é novo", declarou Vaz. "Mas, agora que apareceu um outro Pedro Collor, nós vamos voltar para as ruas." Pedro Collor, irmão do ex-presidente Fernando Collor, foi o pivô da crise que desencadeou o processo de impeachment, em 1992. A partir de denúncias de Pedro, o governo Collor passou por uma devassa, que acabou resultando na queda do presidente da República. Para Vaz, o sentimento nas escolas e universidades é de indignação com as notícias sobre a compra de votos na Câmara. Segundo Nicéa Pitta, o prefeito dava dinheiro aos vereadores para que as votações no Legislativo saíssem de acordo com os seus interesses. Por causa dessa indignação, Vaz acredita que os estudantes vão aderir às manifestações contra Pitta. Collor - Em 1992, as primeiras passeatas contra Collor reuniram poucos estudantes. Mas a UNE e as outras entidades estudantis continuaram convocando atos de protesto e o número de manifestantes cresceu. O retorno dos caras-pintadas - expressão que entrou no vocabulário político brasileiro por causa dos adolescentes que pintavam os rostos de verde e amarelo para protestar contra Collor - vai ao encontro das expectativas de quem aposta na pressão popular para afastar Pitta do poder. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, tem reiterado que o prefeito de São Paulo só perde o cargo se houver pressão por parte da sociedade civil. Políticos da oposição têm a mesma opinião. O líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo, acha que a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Fiscais, que apurou denúncias de corrupção contra funcionários da Prefeitura, só foi instalada em 1999 por causa opinião pública.

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