Meio-dia da sexta e os rapazes se juntam diante de uma escola pública do bairro de Pinheiros, zona sudoeste de São Paulo. Calças largas, camisetas soltas, bonés. São os manos, como eles mesmos se chamam. Num grupinho de sete adolescentes, entre 16 e 20 anos, todos dizem já ter fumado maconha e afirmam beber nos fins de semana. Falam da maconha sem rodeios nem preconceitos. Dizem que os pais ‘‘estão na cola’’, ‘‘preocupados’’, mas acham isso ‘‘normal’’. ‘‘Acho até que reviram minha bolsa quando estou dormindo, normal.’’
‘‘Se alguma coisa estiver rolando, o velho percebe. Vem falar comigo.’’ Carlos, 20, diz que o pai chamou-o para uma conversa uns meses atrás. ‘‘Contei que estava queimando maconha e estava preocupado. Ele perguntou se eu queria ajuda, disse que não, eu me aguentava. E estou me aguentando.’’ Eles parecem mais preocupados com a falta de um emprego, com a discriminação da polícia, com ‘‘esse pessoal do governo que anda roubando’’. ‘‘Isso de dizer que na escola tem gente dando droga para criar dependente é coisa de televisão. Maconha nem cria dependência. Cigarro e bebida sim é que deviam ser proibidos.’’ De tão igual, a fala deles parece ensaiada.

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