Brasília - ''Já enterramos e vamos queimar, para não ter medo de ressuscitar.'' Eram as palavras de ordem entoadas pelos integrantes da União Nacional dos Estudantes ontem que, em frente ao Ministério da Educação, atearam fogo a um caixão para simbolizar o fim do Exame Nacional de Cursos, o Provão. A manifestação começou às 16h30 com estudantes encenando o ''velório'' do antigo sistema de avaliação do ensino superior.
Durante o protesto, não faltaram citações ao ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza e à ex-secretária de ensino superior Eunice Durham. ''Vamos concentrar nossas forças para fazer com que a nova avaliação seja colocada em prática o mais rápido possível'', afirmou o presidente da UNE, Gustavo Petta.
Anunciado há duas semanas, o novo sistema de avaliação será realizado em duas etapas. O maior avanço na opinião do presidente da UNE é o fato de que estudantes passam a ser sujeitos ativos na avaliação. ''O Provão não trouxe benefício aos estudantes, pelo contrário. Não houve punição de instituições de baixa qualidade e somente estudantes foram prejudicados com a divulgação do seu baixo desempenho nas provas.''
O programa Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação, vai receber US$ 200 mil do governo japonês. Um acordo, firmado hoje entre o ministério e Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), permitirá o repasse. A liberação da verba deverá ocorrer ainda este ano, depois da apresentação do governo brasileiro, de uma proposta para a aplicação dos recursos.
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, sugeriu que o dinheiro seja usado para treinamento de estudantes universitários. O acordo foi assinado por Buarque, o diretor da Unesco no Brasil, Jorge Werthein; e o embaixador do Japão no Brasil, Tadashi Ikeda.

mockup