Estudantes, pais e professores fizeram um protesto contra o novo ensino médio no final da tarde desta quarta-feira (15) no Calçadão de Londrina. A manifestação foi organizada pela UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas) e contou com apoio do DCE (Diretório Central dos Estudantes) de universidades da cidade, além dos estudantes secundaristas. Com frases como "Revoga Ensino Médio", a comunidade estudantil reivindica que um novo modelo de ensino médio seja discutido de forma ampla na sociedade. Várias cidades do país registraram manifestações pedindo mudanças no ensino médio.

Guilherme Souza Quina, 22, é estudante do curso de Filosofia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e membro da gestão "De Cabeça em Pé" do DCE. Ele explica que o DCE apoia a mobilização dos estudantes secundaristas e que alunos que cursam licenciaturas vão ser prejudicados por conta das mudanças que a reforma do ensino médio trouxe. “A (disciplina) filosofia, por exemplo, vem sendo deixada de lado para ceder espaço para conteúdos como empreendedorismo e projeto de vida, o que atrapalha a formação do pensamento crítico dos estudantes e o futuro dos profissionais”, ressalta. Ele explica que a grade curricular traz uma visão mais técnica e empresarial, afastando o jovem da universidade e aproximando ele do mercado de trabalho.

Quina explica que a mobilização vem sendo feita nos últimos anos, já que a formulação da reforma do ensino médio não abriu espaço de fala para a comunidade escolar e acadêmica. “Não teve um debate público, então, a gente luta para que tenha uma reforma real, com um debate plural, com educação de qualidade que universalize o conhecimento”, afirma.

Estudantes secundaristas de Londrina se reuniram em frente ao Ouro Verde para pedir mudanças no novo ensino médio
Estudantes secundaristas de Londrina se reuniram em frente ao Ouro Verde para pedir mudanças no novo ensino médio | Foto: Gustavo Carneiro

Marcelo Yuji, 18, cursa Engenharia de Materiais e é presidente do DCE da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). “A UTFPR tem cursos de licenciatura que vão ser afetados com essa reforma, já que profissionais vão perder postos de trabalho, além da falta de incentivo para que novos estudantes ingressem no ensino superior”, explica.

Ele ressalta que os vestibulares vão continuar cobrando disciplinas como filosofia, sociologia e arte nas provas: “E os estudantes vão estar despreparados para isso, já que não tiveram esses conteúdos no ensino médio”. Yuji destaca que a tendência é que o número de ingressantes de classes mais altas no ensino superior aumente, enquanto o de estudantes de classes mais baixas, que vêm de escolas públicas, diminui.

O novo modelo de ensino médio entrou em vigor nas escolas públicas do país no começo de 2022 e retirou ou reduziu a carga horária de disciplinas como sociologia, filosofia e arte.

Uma professora de uma escola cívico-militar em Bela Vista do Paraíso, que preferiu não se identificar por medo de represálias, também compareceu para se manifestar contra as mudanças na grade curricular do ensino médio. "Eu acho um golpe contra os alunos retirarem disciplinas tão importantes como essas”, criticou ela, que é formada em Ciências Sociais e educadora há 20 anos.

A professora esclarece que eles não são contra os novos conteúdos, a ressalva é que eles não podem substituir disciplinas básicas que formam o pensamento crítico e são cobradas em vestibulares. “A gente já está visualizando esse prejuízo, então, esperamos que esse modelo de ensino médio seja revogado. Nós percebemos que o governo federal está aberto para o debate, o que já é um começo”, finaliza.

Uma estudante do segundo ano do ensino médio do Colégio Professora Olympia Morais Tormenta, na zona norte de Londrina, quer a revogação do modelo atual de ensino médio: “A gente não quer isso, a gente não pediu isso”. Ela conta que alguns professores são favoráveis às mudanças, justificando que os estudantes podem sair da escola e ir direto para o mercado de trabalho. “Mas e o ensino superior? Eles querem que a gente saia daqui sabendo como trabalhar em uma empresa, não que a gente entre na universidade e tenha um diploma”, questiona.

As manifestações aconteceram em ao menos 19 estados e no Distrito Federal; no Paraná, além de Londrina, outras nove cidades também tiveram atos contra o novo ensino médio.

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