Estudantes e professores universitários protestam
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - Estudantes e professores universitários realizaram um protesto ontem pela manhã em frente ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) contra algumas medidas adotadas pelo Governo do Estado que culminaram com o corte de verbas para a educação. A concentração do grupo começou no Terminal Acapulco às 7h30 e por volta das 8h30 o grupo se dirigiu para o Iapar pela marginal da Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), distribuindo folhetos que explicavam os motivos do protesto.
Os manifestantes aproveitaram que a sede do Governo Estadual foi transferida para Londrina durante um dia face às comemorações do aniversário da cidade e tentaram, sem sucesso, falar com o governador Beto Richa. Depois de uma espera de mais de duas horas, conseguiram falar com o secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, João Carlos Gomes, que garantiu que transmitiria as reivindicações ao governador.
Entre as reivindicações dos manifestantes, estavam a imediata suspensão dos cortes de verbas para a educação; o imediato repasse do orçamento necessário às Instituições de Educação do Ensino Superior do Paraná (Iees-PR) para "o seu pleno e digno funcionamento"; a abertura de concursos públicos, tanto de técnicos quanto de docentes, para as instituições; uma política efetiva de permanência estudantil para todas as Iees-PR, com restaurantes universitários (RUs) a preço acessível, moradia estudantil de qualidade e com vagas suficientes e ampliação das bolsas de pesquisa/extensão; autonomia universitária com gestão democrática e participativa, para que as decisões tomadas pela comunidade universitária não sejam desrespeitadas pelos governos ou reitores; e que as Iees-PR sejam financiadas integralmente pelo Estado, com verba pública.
Segundo os organizadores do protesto, cerca de 150 pessoas estiveram presentes no ato. Uma comitiva de Maringá também veio a Londrina para engrossar o coro dos descontentes com a situação. A professora de Química da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Flávia Roberta de Oliveira, de 25 anos, destacou que o corte de verbas vem sendo feito há dois anos.
"Os estudantes e professores vêm sofrendo as mazelas dessa decisão política. Faltam funcionários e o valor das bolsas não é reajustado há tempos. Nenhum estudante recebe bolsa acima de R$ 400. Estudantes de cursos pesados como os de Química e de Física não conseguem trabalhar e estudar ao mesmo tempo e acabam desistindo do curso, já que esse valor não é suficiente nem para pagar o aluguel", destacou.
O estudante de Ciências Sociais da UEM Pedro Barbosa, de 26 anos, destacou que a comunidade universitária de Maringá está há mais de dois anos sem o Restaurante Universitário. "Essa era a única assistência estudantil que recebíamos e já não temos mais. Nós não possuímos moradia estudantil em Maringá", afirmou. Ele destacou que 50% da carga horária das aulas tem sido ministrada por professores temporários, que não possuem estabilidade.
O secretário João Gomes afirmou que nos últimos quatro anos a ampliação de investimentos no Ensino Superior foi de 86% e na UEL foi de 89%. Ele destacou que na semana passada o governador pediu a ele que entrasse em contato com os reitores das universidades para saber qual a necessidade de orçamento para resolver as pendências nesse fim de ano.
"Eu entrei em contato pessoalmente com as sete universidades e com os responsáveis financeiros e tudo o que nos foi requisitado foi repassado", relatou. Ele disse que o governo fez foi uma adequação para concluir o ano. "Vamos iniciar no ano que vem um novo orçamento, que prevê a ampliação de 15% no orçamento das universidades", garantiu.
Um dos representantes dos manifestantes, Murilo Pajolla, rechaçou a declaração do secretário e salientou que o que foi feito emergencialmente não é suficiente. "O que o secretário diz que é adequação é um eufemismo para corte de recursos. Essa verba emergencial foi para cobrir despesas de água e luz e isso é o básico para o funcionamento de uma universidade, não é esforço de governo. Não consideramos isso um mérito. Queremos que o governo se comprometa a assumir integralmente o custeio das universidades", cobrou.
Sobre a paralisação das obras do Restaurante Universitário de Maringá, João Gomes destacou que a obra foi interrompida por decisão do Ministério Público e que isto não está relacionado às questões do Governo Estadual. O caso passou a ser investigado pelo MP depois de o Observatório Social de Maringá (OSM) levantar suspeitas de irregularidades sobre o serviço, no final do ano passado.


