Estudantes e policiais entram em choque na Bolívia
La Paz, 11 (AE-AP) - Novos confrontos entre universitários e a polícia ocorreram hoje (11) em La Paz, enquanto representantes do governo e dos camponeses dialogavam com a mediação da Igreja Católica em busca de um acordo para acabar com a violência.
A polícia reprimiu com rigor centenas de universitários que tentaram sair às ruas em uma manifestação contra o estado de sítio imposto sábado e exigir um aumento no orçamento para a educação.
Os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha que deixaram 15 feridos, segundo informou o docente da Universidad Mayor de San Andrés, Jaime Vilela.
Cerca de 50 estudantes foram presos. Os universitários recuaram até sua sede e responderam atirando pedras contra a polícia. Desde a imposição do estado de sítio, sábado, foram registrados cinco mortos e 57 feridos.
O diretor da Polícia Técnica Judicial, coronel Andrés Sánchez, confirmou hoje que 10 camponeses serão julgados na justiça comum para responder a acusações de instigação pública à desobediência civil da autoria intelectual do assassinato do capitão do Exército Omar Téllez, morto sábado após ser torturado pelos moradores de Achacachi, a 120 quilômetros de La Paz.
Apesar dos novos distúrbios, um acordo era buscado hoje com mediação da Igreja Católica, disse a Defensora Pública, Ana María de Campero. No entanto, persiste a ameaça de uma greve convocada para amanhã pela Confederação Trabalhista Boliviana, cujo vice-presidente, Zózimo Paniagua, diz que os sindicatos brigam devido ao "assassinato de camponeses e estudantes pelas forças militares".
Espera-se que nas próximas horas possa ocorrer o retorno a seus locais de origem de diversos líderes confinados a uma remota zona amazônica, após a declaração do estado de sítio. O acordo para o início do diálogo em torno das exigências camponesas surgiu depois de o presidente Hugo Banzer anunciar sua disposição de pacificar o país. Banzer fez o anúncio em reunião com empresários, líderes da igreja e a Defensora Pública
que pediram medidas para evitar um maior derramamento de sangue
segundo o secretário-geral da Conferência Episcopal da Bolívia, monsenhor Jesús Juárez.
Um acordo central iniciou as reuniões em busca da solução das reivindicações agrárias, sob o compromisso de suspender as medidas de pressão. Informou-se também que foi analisado o problema que originou os conflitos: os protestos pela alta de 20% nas tarifas de água em Cochabamba.
Foi obtido um acordo para uma rescisão do contrato com a empresa anglo-franco-hispano-boliviana Aguas del Tunari, que abastece a cidade. Cochabamba é o terceiro maior município do país e situa-se 500 quilômetros ao sudeste de la Paz.
As organizações cívicas de Cochabamba chamaram de "fantasma" a empresa, acusando-a de oferecer um serviço deficiente e aumentar as tarifas sem justificativa.
O presidente da Confederação de Empresários Privados da Bolívia, Carlos Calvo, disse que a rescisão do contrato com a Aguas del Tunari é um sinal negativo para o exterior, que diminuirá os investimentos no país.





