Estudantes desocupam reitoria, mas mantêm greve
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sábado, 27 de junho de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Após quatro dias de ocupação, os alunos do movimento estudantil deixaram na manhã de ontem o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A decisão foi tomada em assembleia na noite de sexta-feira. Eles aceitaram os termos propostos pela reitora Berenice Jordão, que se comprometeu a estender a bolsa de R$ 100 de auxílio para alimentação a 182 estudantes da instituição. Além dos 100 estudantes que já recebiam o benefício, outros 82 que utilizam a moradia estudantil passam a contar com a ajuda de custo mensal até que o Restaurante Universitário (RU), fechado para obras de ampliação, volte a funcionar.
Os estudantes começaram a organizar a retirada por volta das 6 horas. Cerca de duas horas depois, o espaço já estava à disposição da Prefeitura do campus. Uma equipe de serralheiros precisou ser chamada para fazer reparos em duas portas que foram arrombadas durante a ocupação. A porta-voz do movimento estudantil, Fernanda Targa, ressaltou que o valor do reparo foi arcado pelos estudantes. "Este foi o único dano que precisou ser feito para que pudéssemos entrar. Hoje (ontem) pela manhã, nós fizemos a limpeza das três salas em que permanecemos e estamos entregando tudo em ordem. Esta foi a única maneira que achamos para conseguir negociar", expôs.
A assessoria de imprensa da UEL informou que a desocupação, que já havia sido anunciada pelos estudantes na noite anterior, "foi organizada e que o prédio foi entregue nas mesmas condições que estava antes da ocupação". Além da bolsa de auxílio para alimentação, os estudantes conseguiram agendar uma reunião com membros da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Às 14 horas de segunda-feira, a reitora vai acompanhar dois estudantes do movimento no encontro com o secretário João Carlos Gomes, em Curitiba. "Vamos expor nossas outras demandas, como a melhoria de condições dos laboratórios e cobrar o repasse do custeio do segundo trimestre que ainda não chegou à universidade", pontuou Fernanda.
Na assembleia, o movimento estudantil decidiu manter a greve pelo menos até quarta-feira, quando será organizada outra assembleia para avaliar eventuais contrapropostas da Seti e os rumos do movimento. Na tarde de sexta, uma reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) decidiu em votação que as aulas serão retomadas na terça-feira. Para o movimento estudantil, a decisão de não esperar a assembleia do movimento estudantil para definir a volta das atividades foi um "desrespeito aos estudantes".
O estudante de pós-graduação Lucas Queiroz espera que a greve tenha "grande adesão". "Pedimos a todos que permaneçam mobilizados até a próxima assembleia", orientou.


