Sorocaba - Estudantes do curso técnico em nutrição e dietética do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Itapetininga, a 170 quilômetros de São Paulo, estão testando comercialmente um hambúrguer feito de fígado. O produto, inédito no mercado, tem 50% menos calorias do que o hambúrguer tradicional de carne bovina e é mais nutritivo. O hambúrguer foi aprovado nos testes de degustação.
Ele foi desenvolvido pelas alunas Denise Rodrigues Ferreira e Maria José Gomes Prado Ponce, sob a orientação da engenheira de alimentos Sílvia Panetta Nascimento. O produto começou a ser pesquisado durante as aulas da disciplina Estudo Experimental dos Alimentos. De acordo com Sílvia, o objetivo era fazer com que os alunos verificassem o comportamento das matérias-primas alimentares diante de várias condições a que são submetidas nos processos tecnológicos. ''Para isso, os participantes do curso condensaram as informações adquiridas em outras disciplinas do programa.''
Os 21 alunos desenvolveram outros produtos, mas o hambúrguer, aproveitando peça do boi geralmente pouco apreciada pelas crianças, obteve o melhor desempenho. Para avaliação sensorial, foram feitos testes com degustação envolvendo mais de 50 crianças, muitas das quais não comiam fígado. O índice de aprovação atingiu 85%. As mães quiseram conhecer o produto e comprá-lo, o que motivou as alunas a iniciar o processo de comercialização. Foram feitos contatos com frigoríficos da região. O produto está em fase de testes.
A matéria-prima utilizada torna o hambúrguer competitivo. Além da alta dosagem de ferro, útil no combate à anemia ferropriva que atinge grande parte da população infantil, o produto do fígado tem o mesmo valor protéico do hambúrguer tradicional, com 50% a menos de calorias. É mais barato e prático, pois só é preciso aquecê-lo para o consumo.