São Paulo, 20 (AE) - Diariamente, mais de 81 mil crianças que usam peruas escolares estão expostas a acidentes no caminho de ida ou volta da escola em São Paulo. Além do trânsito caótico - risco iminente para qualquer um -, a maior parte dos estudantes não usa o cinto de segurança. Sob a alegação de que "eles detestam ficar amarrados", pais e motoristas deixam de impor o uso do equipamento, colocando em risco a segurança das crianças.
A discussão sobre o uso do cinto de segurança no banco traseiro voltou à tona com a morte do escritor e dramaturgo Dias Gomes, na madrugada de terça-feira (18). O taxi em que ele estava bateu e o dramaturgo, que não usava o cinto, foi jogado para fora do carro.
Não é necessário parar a perua escolar para verificar se as crianças estão sem o cinto. Dá para ver pela janela. "Eles não gostam de usar o cinto e é difícil os obrigar", diz o perueiro Carlos Roberto Ortiz, que atende a estudantes da Escola Municipal Professor Deville Allegretti, na zona norte. "Nós pedimos, mas poucos nos obedecem", conta o motorista Carlos Colacioppo, que há 17 anos trabalha transportando os alunos do Colégio Bandeirantes, na região sul.
Um estudante do Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, contou que, na perua, os alunos não usam o cinto de segurança. "Os motoristas nem se lembram de nos avisar", diz.
Poucas perueiros deixam os cintos em cima do banco. Na maioria das peruas, o equipamento está guardado ou debaixo do banco.
O risco em caso de batida é grande."Sem cinto, os estudantes correm o risco de bater a cabeça no teto ou ser arremessado para a parte da frente do veículo", explica o gerente da área de Atendimento da empresa São Paulo Transporte (SPTrans), Angelo Fede.
Atualmente, 5,4 mil peruas escolares estão credenciadas pelo Departamento Nacional de Trânsito de São Paulo (Detran) e pela prefeitura. Cerca de 65% dos condutores são mulheres. Cada carro leva, em média, 15 estudantes. São mais de 81 mil estudantes.
Isso sem contar os passageiros das peruas irregulares. O transporte clandestino de crianças é apontado por Fede como uma das principais preocupações da SPTrans. Além disso, esses veículos não passam pela fiscalização pelo Detran e levam passageiros além do permitido.
"É um perigo, pois os condutores não estão qualificados", afirma Fede. Para receber o alvará, os condutores fazem um cursinho - que inclui aulas de direção defensiva, psicologia e primeiros socorros -, além de ter as peruas vistoriadas. Os motoristas também são obrigados a instalar um tacógrafo, que controla a velocidade. O limite é de 60 quilômetros por hora.
"Aumentou o número de veículos clandestinos nos últimos meses", garante o perueiro Roberto Assato. Para ele, os pais são culpados pelo crescimento do transporte irregular. "Eles querem pagar mais barato e não ligam para a segurança", diz.
Periodicamente, o Comando de Policiamento de Trânsito de São Paulo (CPTran) organiza operações para fiscalizar as peruas escolares, mas o foco do trabalho é verificar se o veículo passou pela fiscalização semestral.
"Se a perua estiver irregular, o veículo é retido e o motorista recebe sete pontos na carteira, além de ter de pagar um multa de 175,86 reais (180 unidades fiscais de referência)", diz o sargento Valter Lins Iscol, da CPTran. Em 1998 , foram apreendidas 852 peruas.

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