Estudantes de Ibiporã perdem transporte escolar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
Ibiporã - Moradores do Jardim Santa Paula, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) protestaram ontem em frente à Escola Municipal Professora Ivanildes Gonçalves Nalim, pelo fim do transporte escolar oferecido pela prefeitura. Os alunos estão impedidos de frequentar as aulas, iniciadas na segunda-feira.
''Tem um ônibus que traz as crianças de outros bairros para a escola daqui, mas ele não pode levar as nossas crianças para os outros bairros. Isso é uma injustiça'', reclamou um morador, que não quis se identificar.
Segundo o vereador Valdir Paduano, o município oferecia transporte gratuito aos alunos dos ensinos fundamental e médio até o ano passado. ''Agora, a prefeitura teve que se adequar à resolução da Secretaria Estadual de Educação, que diz que o transporte só pode ser realizado na Zona Rural e para alunos até a 4 série'', explicou.
A implementação do georreferenciamento no Paraná e a Lei de Responsabilidade Fiscal também teriam influído no corte. Teoricamente, com as crianças estudando nas escolas próximas às suas casas, não seria mais necessário o transporte. Porém, no Jardim Santa Paula não há escola de 5 a 8séries, nem do ensino médio. Na escola mais próxima, localizada no Jardim São Rafael, não há vagas suficientes. ''Além do mais, é muito perigoso, as crianças teriam que atravessar a rodovia. Se acontece algum acidente, ainda por cima os pais é que são responsabilizados'', alegou a estudante Daiane Aparecida Freitas da Silva.
Dentre as soluções cogitadas ontem está a de que os próprios moradores dividam com a prefeitura os custos dos ônibus. ''A gente pode colaborar. Antigamente, a gente pagava R$ 10 por mês e tinha o transporte da prefeitura. Se for pagar R$ 2 por viagem durante 25 dias, são R$ 100 por mês. Não temos condições de pagar'', calculou Zilda Barbosa, cujo filho está matriculado na 6 série em uma escola no centro.
Para a vereadora Lurdes Narciso, presidente da Comissão de Educação da Câmara, é preciso primeiro avaliar a legalidade da proposta. ''Vou propor ao prefeito que se mantenha o transporte até que seja encontrada uma solução plausível'', adiantou. Ela lançou a possibilidade de se aumentar a estrutura da escola existente no Santa Paula para acolher esses estudantes. ''O georreferenciamento está criando polêmica em várias localidades. Talvez fosse o caso de se implementá-lo gradativamente'', acrescentou.
O vereador Paduano lembrou que o prefeito em exercício, João Odair Pelisson, está viajando, mas que poderia ser formada uma comissão para uma reunião na prefeitura na sexta-feira.
A reportagem tentou contato a secretária de Educação do município, Marilyn Machado, mas - segundo a assessoria - ela estava em consulta médica, sem telefone celular, e se pronunciaria sobre o caso hoje.


