Estudantes criticam currículos
Os estudantes universitários são bastante críticos em relação a seus cursos. Questionam desde a infra-estrutura oferecida até a organização curricular. Mais de um terço dos estudantes diz, por exemplo, que suas bibliotecas não são atualizadas. A situação é bem mais grave nas instituições públicas do que nas particulares - o que revela uma falta de investimento recente no setor pelo governo.
Direito é campeão na desatualização das bibliotecas, tanto nas públicas como nas privadas. A questão curricular e pedagógica é ainda mais complicada: 60% dos alunos de Direito e Administração afirmam que os seus cursos exigem pouco do estudante. Esse índice é um pouco mais baixo em Engenharia Civil (35%) e Química (23%), Odontologia (31%) e Veterinária (44%). Mas, mesmo assim, explica por que os alunos foram tão mal no provão (nenhum curso teve nota média acima de 5).
As críticas não são diretamente aos professores - cuja didática recebe comentário positivo de mais da metade dos alunos. O problema é a organização do currículo. Mais de 80% dos alunos das engenharias, de Direito e de Veterinária afirmam que as disciplinas estudadas são mal dimensionadas. A mesma proporção é observada em todos os cursos para a demanda por novas disciplinas, mais adequadas aos objetivos dos alunos.
O questionário sócio-econômico respondido pelos estudantes revela também que há uma nítida mudança na mentalidade do universitário brasileiro, que começa a se adequar a um mercado de trabalho em rápida transformação. Menos de 8% dos alunos de todos os cursos afirmam que, depois de concluir a faculdade, vão parar de estudar.
O que mais atrai os formandos são as especializações. Em Odontologia chega a 82% os estudantes que afirmam que buscarão uma especialização. A pós-graduação atrai poucos (11% em Engenharia Química, que tem o índice mais alto). (F.R.)





